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Ombudsman, 30

O jornalismo crítico da Folha deve ser também submetido à crítica independente

O diretor de Redação, Sérgio Dávila, e a atual ombudsman, Flávia Lima, durante encontro com leitores - Eduardo Anizell - 18.jun.19/Folhapress

A palavra, de origem sueca, designa o encarregado de defender interesses do público perante um serviço ou instituição. No jornalismo, consagrou-se como o advogado dos leitores, pago pelo próprio meio de comunicação para criticá-lo e obter respostas às queixas pertinentes dos usuários de informação.

Entre a criação do cargo na Suécia para ouvir reclamos de cidadãos, em 1809, e o surgimento do primeiro ombudsman de imprensa nos EUA, em 1967, transcorreu um século e meio. No intervalo, comitês com tarefa similar apareceram na primeira metade do século 20 em diários do Japão.

No Brasil, o posto seria criado em 1989, nesta Folha, por iniciativa de Otavio Frias Filho (1957-2018). Apenas cinco anos depois de se tornar diretor de Redação e iniciar a modernização do jornal, ele concebia a função como peça-chave no sistema de freios e contrapesos sem o qual a atividade corre o risco de tornar-se arbitrária e afastar-se de sua missão esclarecedora.

Um diário que se propõe crítico, pluralista e apartidário, como preconiza seu projeto editorial desde então, não tem como esquivar-se do escrutínio do público que o sustenta. Para tanto, conta com um crítico independente a dar transparência a erros e acertos do ponto de vista dos leitores.

A independência desse representante se traduz na indemissibilidade durante o mandato e na ausência de controle da direção do jornal sobre sua coluna dominical. 

Não faltaram momentos de tensão, desacordo e mesmo conflito aberto entre Redação e ombudsman. O cargo e sua autonomia resistiram incólumes nesses 30 anos, como têm testemunhado os 13 profissionais que exerceram a função.

Nessas três décadas, o jornalismo brasileiro passou por transformações profundas. Profissionalizou-se, tornou-se mais responsável, investigativo e atuante, embora conserve defeitos mais que suficientes para as colunas críticas.

As ressalvas externas se disseminaram também pelas redes sociais, tanto as honestas, que concorrem para o aperfeiçoamento dos meios de comunicação, quanto as que lançam mão de falsidades para erodir sua credibilidade e tentar inviabilizar a missão de fiscalizar o poder e os poderosos.

Não falta e não faltará, portanto, material para que os representantes do leitor continuem a ajudar o jornal a separar o joio do trigo.

editoriais@grupofolha.com.br

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