Descrição de chapéu

Impasse espanhol

Mais uma eleição no país termina sem a formação de maioria; ultradireita avança

Votação em Barcelona, no domingo (10) - Albert Gea/Reuters

A cada nova eleição, o panorama político da Espanha torna-se mais complexo e fragmentado. O pleito de domingo passado (10), o quarto nos últimos quatro anos, tinha como objetivo romper o impasse que paralisa o país desde a inconclusiva votação de abril. 

Deu-se, contudo, o oposto. Não só nenhum partido ou coligação alcançou maioria no Parlamento como a sigla nacionalista de ultradireita Vox, inexpressiva até o ano passado, terminou alçada a uma posição de destaque.

O sufrágio do fim de semana foi convocado pelo premiê interino e líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sanchéz, depois de não ter conseguido conquistar o apoio do esquerdista Podemos para formar um governo.

A aposta não deu certo. Os socialistas foram novamente os mais votados, mas seu desempenho foi pior que há sete meses, caindo de 123 para 120 assentos (são necessários 176 para obter maioria).

Em seguida veio o também tradicional Partido Popular. Se, ao conquistar 23 cadeiras a mais, a agremiação recuperou-se da tragédia da última eleição, os 89 assentos obtidos ainda a deixam distante do poder de outrora.

O grande vitorioso, entretanto, foi o Vox, que ampliou sua bancada de 24 para 52 lugares. 

O recrudescimento da crise na Catalunha, com a condenação dos líderes da fracassada tentativa de independência e a reação furiosa dos separatistas, parece ter galvanizado o apoio ao partido.

Boa parte desses votos veio de antigos partidários do Cidadãos. A migração da sigla rumo à direita mostrou-se desastrosa, com queda de 52 para 10 cadeiras.

O resultado final acendeu o alerta das forças de esquerda. PSOE e Podemos, que negociaram longamente após o pleito de abril, mas não chegaram a um acordo, agora aquiesceram de pronto na tentativa de compor um governo. 

Todavia ainda será necessária certa engenharia para que a aliança se concretize, pois ela depende da atração de siglas menores e da abstenção de outras.

Embora não seja a solução para os problemas políticos da Espanha, o desajeitado arranjo parece ser o único capaz de evitar um novo e desgastante pleito.

​editoriais@grupofolha.com.br

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.