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Bruno Araújo

Acima de tudo, a democracia

PSDB repudia retrocessos, autoritarismo e estimulo à violência

Bruno Araújo

O PSDB vive um momento de redefinições. Mais uma vez, reafirmamos nossa profissão de fé na economia de mercado, na defesa da livre iniciativa, do empreendedorismo e da inovação. E reiteramos nossos compromissos com a luta sem tréguas contra as desigualdades, com a promoção da justiça social e do bem-estar comum, sem esquecer o combate à burocracia, ao gigantismo estatal e aos privilégios das corporações. Por isso, temos apoiado e participado ativamente da aprovação das reformas no Congresso Nacional.

Mas nossa concordância com o governo do presidente Jair Bolsonaro para aí. O PSDB reafirma, com ênfase, que nosso compromisso maior é com a democracia. Valorizamos e prezamos as instituições, o Estado democrático de Direito, as liberdades, a tolerância, a diversidade de pensamentos, de opiniões e de escolhas. E, sobretudo, repudiamos o autoritarismo e o estímulo à violência.

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O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, durante entrevista em hotel em São Paulo - Iwi Onodera - 9. ago.19/UOL/Folhapress

O PSDB rechaça toda e qualquer ameaça a conquistas civilizatórias do povo brasileiro. Preocupam-nos, em particular, os retrocessos percebidos nas políticas ambientais, na nossa diplomacia, na cultura e, sobretudo, na educação, porque depõem contra avanços que vinham sendo construídos há décadas por toda a nossa sociedade. Também rejeitamos a interferência do Estado em costumes e valores comportamentais de cada indivíduo: para nós, cada um é livre para ser como quiser ser.

Nos últimos dois meses, colocamos em marcha um inédito processo de consulta às bases tucanas. Nunca antes na nossa história, um partido brasileiro se abriu desta maneira ao escrutínio e à deliberação de seus filiados. Neste período, foram mais de meio milhão de interações, pelos mais diversos canais, sobretudo pelas redes sociais, com participação destacada de jovens.

O processo culminou num encontro no início de dezembro em Brasília, reunindo 600 delegados escolhidos pelos diretórios estaduais do partido. Dali saiu a carta de princípios que norteará o posicionamento do PSDB doravante. De nós, não esperem tibieza: fiéis à nossa relevância histórica, firmamos posição sobre todo e qualquer assunto importante da agenda nacional. Podem cobrar.

Nosso manifesto não é uma diretriz teórica, alheia à realidade. Pelo contrário. O encontro que reuniu militantes, filiados, parlamentares, governantes e lideranças do partido deixou claríssimo o que esperar do PSDB no momento pelo qual o país passa.

Ao longo dos dois meses em que durou o processo de consultas, nosso partido reafirmou, de um lado, seu caráter plural, tolerante e progressista. E, de outro, reforçou seu perfil reformista, assumindo compromissos com iniciativas que busquem produzir prosperidade econômica e ajudem o país a superar a herança nefasta dos anos de destruição patrocinados pelos governos de Lula e Dilma. Apoiamos as reformas econômicas até porque elas estão no DNA do PSDB —e bem mais do que no do atual governo— e coincidem com o que fizemos quando éramos governo e com o que acreditamos que deva ser feito agora.

Partidos políticos vivem crises, aqui e em quase toda parte. Tentam se reinventar, redescobrir seus caminhos, recuperar relevância. Para a democracia, é fundamental que encontrem novos rumos neste novo mundo. Porque é no bom funcionamento das instituições que lidam com a política que está a chave da resposta, jamais fora dela.

De várias maneiras, estamos buscando um reencontro com a nossa história, com o ideário, as realizações e os compromissos que nos permitiram promover mudanças profundas na estrutura econômica e social brasileira quando comandamos o país, entre 1995 e 2002, com o presidente Fernando Henrique Cardoso.

Desde que foi fundado, em 1988, o PSDB jamais foi talhado para aderir a governos. Foi criado para liderar mudanças. Esta sempre foi nossa principal característica e dela não nos afastaremos. Até porque, mais que nunca, o Brasil precisa de um partido que seja o estuário dos que lutam contra a polarização, contra a radicalização e contra a destruição da política. Mais que nunca, o país precisa de quem seja a favor e não dos que se notabilizam em ser sempre contra.

Bruno Araújo

Advogado, é presidente nacional do PSDB

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