Descrição de chapéu
Eduardo Mufarej

Ensinar democracia é difícil

Ato na formatura do RenovaBR foi equívoco isolado

Todos os dias preciso repetir o que fazemos no RenovaBR. Somos uma escola. Independentes. Democratas. Transparentes. E transparência para mim também é valor pessoal. Sendo transparente, vejo como falta de consideração e equívoco as manifestações de alguns poucos alunos durante a formatura deste ano.

Falta de consideração com os mais de mil estudantes que se formavam naquele dia. Precisamente 1.170, membros de mais de 30 dos 33 partidos brasileiros, além dos vários que ainda não têm filiação partidária.

Formatura RenovaBR 2019, na Sala São Paulo
Cerimônia de formatura dos alunos do RenovaBR, na Sala São Paulo - Divulgação

Pessoas comuns de 410 cidades, que se qualificaram para representar os sonhos e esperanças dos mais de 97 milhões de brasileiros que nelas vivem. Falta de consideração também com os profissionais, professores e apoiadores do RenovaBR. Toda a equipe se desdobrou para realizar o maior evento da nossa história e merecia agora um descanso. Em vez disso passaram os últimos dias respondendo a ataques injustos e agressivos nas redes, nos telefones e pessoalmente. Dedico a eles meu mais profundo respeito.

Ouvi no evento coros em defesa de vários partidos e causas. É natural, eram mais de mil futuros políticos ali reunidos. Defendo e sempre defenderei a liberdade de expressão e, com ela, a responsabilidade sobre as consequências. E era óbvio, neste caso, que vestir máscaras com o rosto de um personagem político —qualquer que fosse— e tirar fotografias em frente a um painel com o nome do RenovaBR causaria embaraços não só à instituição como a seus colegas. Não foram poucos os alunos —de esquerda, de centro e de direita— que me enviaram mensagens lamentando o episódio.

Alunos do RenovaBR fazem menção à Lula na cerimônia de formatura do grupo, em São Paulo, no sábado (8)
Alunos do RenovaBR fazem menção à Lula na cerimônia de formatura do grupo, em São Paulo - Acervo Pessoal

Vestir máscaras não é o que ensinamos no RenovaBR. Formamos pessoas comuns que têm a coragem de enfrentar a difícil estrada da política. Gente que dá a cara a tapa. A própria cara. Máscaras não combinam com a democracia. Personalismo não combina com a democracia.

Se foi só uma “brincadeira”, faltou preocupação com as consequências, postura que não se espera de alguém que pretende representar outras pessoas. Faltou também maturidade política. Esta Folha, que não cobriu o evento, optou por dar grande destaque a este caso isolado. 

Nas redes, um debate infrutífero ofuscou o fato de que mais de mil brasileiros se reuniram para celebrar diferenças e fazer sua parte pela democracia. Eles se unem aos 133 alunos qualificados no último ciclo, dos quais 17 foram eleitos por 7 partidos diferentes. Eles nos mostram que a renovação qualificada faz diferença. Gastam menos e produzem mais, abrem mão de privilégios e atuam com honestidade e comprometimento. Temos orgulho de tê-los ajudado a chegar onde estão.

Escrevo para encerrar essa polêmica e jogar luz ao fato realmente relevante ocorrido naquele sábado (7), na Sala São Paulo. Pessoas comuns, que passaram por um rigoroso processo de qualificação, retornam agora a suas cidades para se colocarem à disposição da população. Um exemplo sem precedentes de coragem, tolerância e responsabilidade pública. Um vislumbre do país que podemos ser se assumirmos que a política é direito e dever de todos nós. Continuarei a apostar na independência e no compartilhamento de conhecimento técnico sem distinção ideológica. 

Tenho certeza de que este episódio servirá como lição a todos os nossos alunos, que me enchem de orgulho todos os dias e me fazem sentir que ensinar democracia vale a pena.

Eduardo Mufarej

Empreendedor e fundador do RenovaBR, iniciativa que prepara cidadãos a participarem da política

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