Descrição de chapéu

Máscaras para todos

Mal não fará recomendar o uso geral dos dispositivos, inclusive os caseiros

Gracy Alvarenga faz máscaras em casa para aumentar a renda - Ronny Santos/Folhapress

Assim que o público tomou ciência da gravidade da pandemia de Covid-19, uma corrida por máscaras respiratórias deflagrou compreensível reação de autoridades médicas desaconselhando o uso por pessoas sem sintomas. Chegou o momento de revisar tal orientação.

O propósito era saudável: evitar desabastecimento que pusesse em risco o acesso dos que mais necessitam desses equipamentos de proteção individual. Ainda hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que pessoas saudáveis só usem máscaras se estiverem espirrando, tossindo ou cuidando de doentes.

Médicos e enfermeiros a lidar com pacientes infectados são os mais vulneráveis a contrair a doença pela exposição contínua. Devem ter prioridade, por óbvio, no acesso aos recursos de proteção.

Entretanto houve algum equívoco em disseminar, como justificativa para a recomendação de não usar máscaras, a noção de que elas seriam pouco eficazes. Com efeito, dispositivos mais simples, de tipo cirúrgico, não são de todo eficientes na filtragem de partículas virais, sobretudo quando envergados por pessoas não habituadas.

Com o avanço da pandemia veio a firmar-se a convicção de que as altas taxas de infecção têm a ver com a transmissão do vírus por portadores assintomáticos. Mesmo que a pessoa não espirre, pode haver ejeção do agente infeccioso pela respiração e sua deposição sobre superfícies.

Não é tanto para evitar a inspiração de vírus no ar que as máscaras têm mais serventia, mas para diminuir a veiculação de gotículas diminutas contendo o CoV-2 expelidas por contaminados sem sintomas.

O dispositivo não elimina a necessidade imperiosa do isolamento social e da higiene das mãos, mas seu uso por grande contingente da população traria um reforço na luta contra a Covid-19.

O disseminado emprego de máscaras na Ásia, uma herança da pandemia de gripe H1N1 em 2009, parece estar associado ao relativo sucesso no controle do coronavírus em países da região.

Está longe de ser o fator principal, condição reservada à aplicação maciça de testes diagnósticos, ao rastreamento de infectados e à eficiência do confinamento, mas é provável que tenha contribuído.

Mal não fará recomendar o uso generalizado de máscaras, inclusive as de origem caseira, desde que com orientação precisa sobre a proteção limitada que oferecem.

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