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Megarrodízio

São Paulo tira de circulação metade da frota; medidas drásticas avançam no país

Bloqueio na avenida Santos Dumont, em São Paulo - Adriano Vizoni/Folhapress

De longe a cidade brasileira que registra o maior número de contaminações e mortes por Covid-19, São Paulo passará a adotar, a partir da próxima segunda-feira (11), um controle mais draconiano do trânsito para tentar conter a expansão da epidemia viral.

A prefeitura já tentara restringir a circulação de automóveis no início da semana, ao bloquear o acesso a algumas avenidas. A experiência, porém, não se mostrou bem-sucedida, e foi interrompida após levar a uma piora do tráfego, com ambulâncias e profissionais de saúde retidos nos congestionamentos.

Optou-se agora por expandir o rodízio de veículos e torná-lo mais rígido. Durante o dia inteiro e em toda a cidade, e não mais apenas em certos horários e no centro expandido, metade da frota paulistana será proibida de circular, inclusive aos sábados e domingos.

A ampliação do controle se dá num momento em que o sistema de saúde da capital já inspira cuidados. Segundo o prefeito Bruno Covas (PSDB), a ocupação de leitos em unidades de terapia intensiva passa dos 80%, e metade dos hospitais referenciados para tratar a Covid-19 já tem mais de 95% de leitos de UTI ocupados.

Com a medida drástica, a prefeitura visa a aumentar a taxa de distanciamento social na capital, que tem se mantido abaixo dos 50% nos últimos dias. Segundo autoridades sanitárias, para que a disseminação da enfermidade seja controlada e o sistema hospitalar não entre em colapso, é necessária a adesão de ao menos 70% dos paulistanos.

Ao perseguir esse objetivo por meio de restrições maiores ao trânsito, pretende-se evitar a implementação do chamado “lockdown”, ou confinamento, com consequências decerto mais traumáticas para a população e para a economia.

Limitações mais severas à movimentação de pessoas têm sido adotadas em diversas regiões nos últimos dias e tendem a se tornar cada vez mais comuns no país —a despeito de pressões políticas pela retomada de atividades.

Uma comparação da evolução da Covid-19 em 40 nações mostrou que o Brasil se situa no grupo em que as taxas de contaminação e letalidade sobem mais rapidamente.

Tal avanço vem produzindo pressão enorme sobre sistemas locais de saúde. Ao menos quatro estados e oito capitais já possuem mais de 90% dos leitos de terapia intensiva destinados ao tratamento de pacientes com a doença ocupados.

A necessidade de conter o alastramento da Covid-19, infelizmente, esbarra em problemas estruturais brasileiros. Nas periferias pobres do país, habitando casebres sem saneamento básico e tendo de sair para trabalhar, muitas famílias não dispõem de condições para cumprir o distanciamento social.

Obrigam-se, assim, a arriscar a saúde para garantir a sobrevivência.

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