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Pedro Coutinho

Um novo momento demanda novas competências de liderança

A comunicação nunca foi tão fundamental como forma de interação genuína

Neste artigo falo sobre um dos desafios que estamos vivenciando: a gestão do trabalho remoto. Essa realidade, que já vinha sendo parte da nossa dinâmica, foi acelerada com a pandemia e com o isolamento social.

Em pouco tempo tivemos que aprender a trabalhar, se relacionar, comunicar e, principalmente, liderar a distância. Com isso estamos enfrentando alguns novos desafios, entre eles: como reestabelecer a confiança num momento de tantas incertezas? Como motivar os times trabalhando de casa? Como conciliar o inesperado do home office às atividades normais de uma casa com crianças, animais e as questões rotineiras? Como manter uma cultura sem contar com as interações do dia a dia?

A advogada Thayná Yaredy, 33, em home office durante a pandemia do coronavírus; ao fundo, seu filho estuda num computador
A advogada Thayná Yaredy, 33, com o filho, Martin, em home office durante a pandemia de Covid-19 - Arquivo pessoal

Ao longo da minha carreira participei e compartilhei minha experiência em aulas sobre liderança. Posso garantir que nenhum aprendizado foi tão intenso quanto este que estamos vivenciando, o que nos provoca a refletir sobre novas formas de liderar.

Fazendo um breve balanço, o trabalho a distância, com essa frequência, nos trouxe várias experiências. Uma delas é ter a possibilidade de um tempo maior com a família e, também, alguns dias de muita criatividade e outros de dificuldade de adaptação. Também abrimos mão de exigências das estruturas físicas, estamos buscando manter alinhamentos constantes e soluções rápidas.

Em termos de resultados, o home office apresenta saldo positivo para a empresa, com aumento de produtividade e de responsabilidade e empoderamento dos times. Por outro lado, potencializa a percepção de isolamento, a necessidade de implementar novos controles ou administrar problemas estruturais quando implementado muito rápido ou sem critérios.

Não podemos deixar de lado que nunca foi tão difícil cuidar da gestão do tempo, planejar as atividades, coordenar as agendas e garantir a entrega dos resultados. E, fazer tudo isso com tal intensidade, é um desafio para líderes e liderados.

Sob o ponto de vista tecnológico, esse período nos permitiu testar a qualidade de nossas ferramentas para conexões, porém devemos refletir se estamos cuidando da qualidade de nossas conversas em todos os níveis.

Como base para essa mudança, destaco que a comunicação nunca foi tão fundamental como forma de interação genuína com as pessoas. Aprendemos nesse período que o líder deve adequar a frequência e a forma de comunicar, respeitando as necessidades individuais de seu time, considerando um esforço maior de contextualizar e garantir uma clareza de propósito.

Isso significa que as nossas conversas, sejam escritas, por áudio ou webcam, devem transmitir maior energia —temos que ser mais diretos, praticar a escuta, fazer perguntas. Como líderes, demonstrar que também somos vulneráveis, pedir feedbacks, evitar os monólogos e incentivar a participação de todos.

Faz parte da nossa cultura essa capacidade de se adaptar rapidamente; porém, o segredo está em eliminar algumas barreiras. Não se trata apenas de aprender esse novo modo de trabalhar, mas de entender o que realmente funciona e o que precisa ser adaptado. Lembrando que o sucesso de trabalhar em casa ou nos escritórios depende de como estamos organizados, como nos comunicamos e como acompanhamos.

Quanto maior a nossa capacidade de entender as dificuldades do outro, dar autonomia e corrigir os erros rapidamente, maior será a relação de confiança, e evoluiremos com uma equipe de alta performance.

Pedro Coutinho

Presidente da GetNet e da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços)

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