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Ana Sandra Fernandes Arcoverde Nóbrega

Psicologia: profissão guiada pelo cuidado

Nossa ciência tem muito a contribuir neste momento de vulnerabilidade

Ana Sandra Fernandes Arcoverde Nóbrega

Psicóloga, é presidente do Conselho Federal de Psicologia

O mês de agosto é especial para a Psicologia. Nesta quinta-feira (27), comemoramos o Dia da Psicóloga e do Psicólogo. Neste ano, atingimos o marco de 58 anos da profissão no Brasil, celebrando imensas conquistas, mas também acompanhando de forma atenta os incontáveis desafios que já se
apresentam.

Somos mais de 377 mil psicólogas e psicólogos no país, atuando em todas as regiões. Reconhecemos as singularidades das mais diversas realidades e, sempre orientados pelo nosso código de ética, buscamos o melhor cuidado à saúde mental da população.

Quando 2020 teve início, não fazíamos ideia de que o mundo enfrentaria uma das piores pandemias de todos os tempos —e que o Brasil ocuparia posição de destaque em um lastimável ranking de mortes.
Fomos surpreendidos pela letalidade de uma doença que diariamente interrompe sonhos e vidas. Entre elas, de psicólogas, psicólogos e demais profissionais da saúde que atuam incansavelmente na ponta do atendimento. Nada tão devastador havia abatido a sociedade brasileira na história recente.

Para além da crise sanitária, a pandemia evidenciou crises políticas, econômicas e sociais que, agora, esgarçam ao limite o tecido social e mostram o alto custo da falta de políticas públicas estruturantes. É nesse contexto que a psicologia chega a quase seis décadas no Brasil.

Acolhimento, cuidado e escuta ajudam a definir a psicologia. Isso tem sido cada vez mais reconhecido diante das incertezas do cenário e também da necessidade de isolamento social como estratégia de enfrentamento à Covid-19. Temos orgulho do nosso ofício porque, enquanto ciência e profissão,
a psicologia tem muito a contribuir.

Sabemos que essas circunstâncias impactam na saúde mental das pessoas —sobretudo de idosos, crianças, negros, pessoas em situação de rua e mulheres. Aqui, um destaque: como categoria formada majoritariamente por mulheres, precisamos falar que são elas as maiores vítimas da violência doméstica, que covardemente cresce durante a pandemia.

De forma solidária, tentamos minimizar seus sofrimentos. Nossa categoria também se conduz pelo respeito à democracia e aos direitos humanos. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) —autarquia responsável por orientar, fiscalizar e disciplinar o exercício profissional— integra diversos conselhos de direitos na defesa intransigente de uma sociedade mais justa, capaz de garantir condições dignas a todas e todos. Não há dúvidas: o enfrentamento às desigualdades, à opressão e a todas as formas de crueldade ou violência também faz parte do fazer Psi.

O CFP vem a público, portanto, reconhecer a importância desses profissionais e agradecer por sua busca incessante pela promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade de todas as pessoas. Desejamos que a nossa profissão siga contribuindo para a construção de uma sociedade menos desigual, mais fraterna e saudável.

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