Descrição de chapéu

Apostas na largada

Definição de candidaturas para eleição municipal indica espaço estreito para aliados de Bolsonaro

Imagem de um político discursando em um telão num auditório com cadeiras vazias e um cartaz da sua campanha.
O deputado Celso Russomanno (Republicanos), na convenção partidária que lançou sua candidatura a prefeito de São Paulo. - Adriano Vizoni/Folhapress

Quando a onda conservadora produzida pelas urnas de 2018 refluiu, a dúvida sobre a perenidade do movimento instalou-se imediatamente.

Imaginou-se que o exercício do poder logo colocaria à prova as capacidades da legião de figuras exóticas deixadas na praia da política, Jair Bolsonaro à frente.

Quase dois anos depois, a gestão tumultuada do presidente e as agruras de governadores eleitos como símbolos da antipolítica, a exemplo do afastado Wilson Witzel (PSC-RJ), parecem ter estabelecido os limites daquele movimento.

A definição das candidaturas às eleições municipais de novembro, concluída nesta quarta-feira (16), parece refletir essa perda de brilho da onda bolsonarista.

A necessidade dos partidos de lançar nomes a prefeito para alavancar suas chapas de vereadores, por causa do fim das coligações proporcionais, levou a uma pulverização recorde de candidaturas.

Metade dos atuais mandatários nas capitais buscará a reeleição, apostando que o grande número de concorrentes favorecerá os que já gozam de alguma popularidade.

Antevendo isso, Bolsonaro tem procurado manter distância da eleição para evitar o ônus de derrotas, no máximo cedendo apoios velados a aliados como Marcelo Crivella (Republicanos) no Rio.

Mas a recuperação de sua popularidade e a noção tardia de que o prefeito Bruno Covas (PSDB) partiria em boas condições em São Paulo o fizeram abrir uma exceção.

Na última hora, o presidente incentivou a entrada do deputado Celso Russomanno (Republicanos) no jogo paulistano, muito porque vê a coalizão de Covas como uma antessala do que irá enfrentar em 2022.

Uniram-se ao tucano MDB e DEM, além de outras sete siglas, inclusive algumas que apoiam Bolsonaro no Congresso. O gerente de tal consórcio é o governador João Doria (PSDB), antípoda do presidente.

Registre-se a ironia que o lançamento de Russomanno representa --um deputado do centrão como estrela solitária do bolsonarismo na largada da corrida eleitoral.

Se a política tradicional parece recuperar algum fôlego, o mesmo não se pode dizer da esquerda. Em São Paulo, o PT de Jilmar Tatto corre o risco de virar linha auxiliar do PSOL de Guilherme Boulos.

Antigos aliados, como o PSB e o PDT, que há muito deixaram de confiar no petismo lulocêntrico, se descolaram. O espectro de um novo massacre eleitoral, como o sofrido em 2016, assombra o PT.

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