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Destino do Minhocão

Plebiscito sobre futuro da obra deve integrar ação para recuperar seu entorno

Pedestres no Minhocão em fevereiro, antes da via ser interditada devido à quarentena
Pedestres no Minhocão em fevereiro, antes da via ser interditada devido à quarentena - Rivaldo Gomes - 25.fev.20/Folhapress

A proposta de desativar o elevado João Goulart, popularmente conhecido como Minhocão, felizmente vem deixando o campo abstrato dos debates para adentrar o terreno concreto das leis.

A preservação da via, cuja importância para o caótico trânsito de São Paulo é contestada por estudos da Companhia de Engenharia de Tráfego, tornou-se indefensável diante das consequências perversas da desvalorização econômica, arquitetônica e humana que sua presença impõe, faz décadas, a uma tradicional área da cidade.

Consagrou-se no Plano Diretor da capital de 2014 a ideia de inativar a estrutura até 2029. Desde então foi ganhando corpo o intento de fazer dela um parque suspenso. Uma lei nesse sentido foi promulgada em 2018 e, no ano passado, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou o início das obras num trecho de 900 metros do elevado.

Opositores dessa solução, contudo, forçaram um novo caminho. Na semana passada, os vereadores aprovaram a convocação de um plebiscito para que os paulistanos decidam que fim dar ao Minhocão —se demolição total, parcial ou construção de um parque.

Por importante que seja a participação popular nesse processo, soa desarrazoada, todavia, a ideia de ouvir a capital toda acerca de uma questão que, na realidade, afeta apenas parte diminuta dela.

No limite, numa cidade gigantesca como São Paulo, o assunto seria decidido não pelas centenas de milhares de paulistanos diretamente impactados pelo destino do elevado, mas pelos milhões que, vivendo distantes dali, talvez pouco ou nunca usufruam da escolha feita.

Assim, seria melhor que a consulta se restringisse, por exemplo, aos habitantes dos distritos do entorno do Minhocão, ou da subprefeitura onde a via se localiza.

Dentre as opções futuras do elevado, esta Folha inclina-se pela da transformação do espaço em parque. É notório, afinal, que a metrópole carece de áreas verdes voltadas ao lazer e à prática de esportes. Conta ainda a favor dessa preferência o fato de que o paulistano já acolheu o local, que, nos últimos anos, tem sido aberto com sucesso à população nos fins de semana.

Seja qual for o destino escolhido, porém, é crucial que ele venha acompanhado de um plano que promova a revitalização da área. E que seja capaz de preservar a presença dos atuais moradores e de atrair novos, numa transformação que o entorno há muito necessita.

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