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Rossieli Soares

Educação de olho no futuro

Novo currículo do ensino médio dará protagonismo aos estudantes

Rossieli Soares

Secretário de Educação do estado de São Paulo

São Paulo tem o orgulho de dizer que é o primeiro estado do Brasil a ter um currículo de ensino médio alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à reforma do ensino médio. Um documento moderno, inovador, focado naquilo que é o ponto central de tudo: o aprendizado dos jovens.

Foi um longo processo até chegarmos à aprovação por votação unânime no Conselho Estadual da Educação de São Paulo (CEE-SP). Milhares de pessoas podem dizer que são parte desse trabalho. Sem gente dedicada não conseguiríamos entregar um ótimo documento com tamanha eficiência para toda a sociedade.

O secretário de Educação do estado de São Paulo, Rossieli Soares
O secretário de Educação do estado de São Paulo, Rossieli Soares - Divulgação - 24.abr.20/Governo do estado de São Paulo

Mais do que a agilidade em ser o primeiro, São Paulo também promoveu um modelo de boas práticas à risca, com debates em diferentes setores educacionais, muitas revisões, incorporações, edições. No fim, um orgulho para todos os paulistas e um guia que vai alavancar a qualidade da nossa educação.

A construção do currículo começou no ano passado, com a escuta de cerca de 140 mil estudantes e 18 mil professores, além de debates por meio de seminários e de consulta pública. O texto final foi escrito por 27 redatores.

Precisamos lembrar que nosso bônus demográfico tem previsão de se encerrar entre 2022 e 2023. Com menos jovens em um futuro próximo, temos um papel importantíssimo de formá-los cada vez melhor dentro daquilo em que desejem ser protagonistas. Esse é o principal propósito do currículo paulista para a etapa do ensino médio.

O novo currículo está estruturado em 3.150 horas, distribuídas em um período de três anos do ensino médio. Desse total, 1.350 horas são referentes aos itinerários formativos. Assim, São Paulo terá mais do que a carga mínima prevista na legislação, que é de 3.000 horas, para dar ainda mais oportunidade e protagonismo ao estudante para escolher áreas de conhecimento de formação geral e aprofundar seus estudos ou mesmo ir para a formação técnica e profissional. A implementação deverá ser progressiva, começando com o primeiro ano já em 2021, segundo em 2022 e terceiro em 2023.

Com tantos problemas que 2020 nos trouxe, como a pandemia de Covid-19, seria cômodo deixar a discussão de lado e adiar o currículo para o ano que vem. Mesmo assim, cada um no seu cantinho, porém unidos a distância, conseguiu dar o máximo para essa aprovação. E aqui vem um agradecimento especial ao próprio conselho estadual, que não se furtou da responsabilidade e colocou o documento em votação.

A conquista do currículo paulista também traz uma realização pessoal muito forte. Como secretário do Amazonas, fui coordenador do Grupo de Trabalho do Ensino Médio no Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação). Anos depois, como secretário nacional de Educação Básica, trabalhei para o avanço das discussões e na elaboração da BNCC e da reforma do ensino médio. Já como ministro, homologuei a BNCC da etapa do ensino médio. E, agora, além de aprovarmos o currículo em São Paulo, também tenho a honra de liderar a Frente Currículo e Novo Ensino Médio do Consed, formada para auxiliar os estados em seus trabalhos.

Isso tudo me faz fechar um ciclo, partindo agora para outro, com a implementação. Toda essa experiência passada auxiliou para conseguirmos um resultado rapidamente. E, como diz o governador João Doria (PSDB), o documento é de todos os brasileiros de São Paulo e trará oportunidade aos que mais precisam por meio de uma educação que olha para o futuro.

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