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Eleitor distante

Datafolha aponta nível elevado de desinteresse por candidatos na largada da campanha em São Paulo

Celso Russomanno de terno e gravata, com rosto coberto por escudo plástico de proteção contra vírus, faz sinal de positivo.
O deputado Celso Russomanno (Republicanos), que lidera a corrida à prefeitura de São Paulo. - Adriano Vizoni/Folhapress

A definição dos nomes que vão disputar a eleição para prefeito de São Paulo em novembro foi recebida com frieza pelos eleitores, sugere a sondagem que o Datafolha acaba de realizar na capital paulista.

Instados a manifestar suas preferências espontaneamente, 57% disseram não saber quem escolher e 16% se mostraram inclinados a não votar em ninguém. Ou seja, sete de cada dez paulistanos afirmam não ter candidato definido.

Em momento posterior, quando os pesquisadores apresentaram a relação dos nomes lançados pelos partidos para a disputa, 17% dos eleitores rejeitaram todos os postulantes e 4% se declararam indecisos.

O grau elevado de desinteresse que esses números revelam é semelhante ao observado em pleitos anteriores a esta altura da corrida municipal, logo após as convenções partidárias, mas merece exame atento por causa das particularidades da campanha deste ano.

Em 2016, quando o então prefeito Fernando Haddad (PT) concorria à reeleição e havia duas ex-prefeitas no páreo, Luiza Erundina (PSOL) e Marta Suplicy (então no MDB), a apatia do eleitor parecia refletir uma rejeição generalizada à política tradicional, na esteira dos protestos de junho de 2013.

Desta vez, o desinteresse soa como consequência previsível da pandemia do coronavírus, que ceifou milhares de vidas, destruiu milhões de postos de trabalho e teve na capital paulista seu epicentro no país.

A calamidade não só afetou as pessoas como levou as autoridades a rever o calendário político e adiar o pleito por um mês. O encurtamento da campanha tornará o estado de espírito do eleitor especialmente desafiador para os candidatos.

A pesquisa do Datafolha aponta o deputado Celso Russomanno (Republicanos) na frente da disputa municipal, com 29% das intenções de voto, seguido pelo prefeito Bruno Covas (PSDB), que tenta se reeleger e aparece com 20%.

O líder dos sem-teto Guilherme Boulos (PSOL) e o ex-governador Márcio França (PSB) estão empatados em terceiro lugar, com 9% e 8% das preferências, respectivamente. Jilmar Tatto (PT) tem 2%.

A eleição paulistana é vista pelos políticos como um campo de testes para o realinhamento que os principais partidos buscam desde o triunfo da onda conservadora que levou Jair Bolsonaro ao poder.

Mas o eleitor parece alheio a esse jogo. Segundo o Datafolha, o apoio de Bolsonaro, do governador João Doria (PSDB) ou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a qualquer nome reduziria suas chances.

A insatisfação com a política, somada às angústias causadas pelos meses de isolamento na pandemia, sugere que os candidatos terão que se esforçar muito para conquistar votos na campanha que se inicia.

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