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Terror europeu

Atentados exigem reação enérgica em defesa de razão, liberdade e tolerância

Policiais em ação após atentado em Viena (Áustria) - Roland Schlager/AFP

A sucessão de atentados terroristas desfechados na Áustria e na França renova as preocupações com o extremismo islâmico na Europa e as discussões sobre como enfrentar a intolerância obscurantista.

Na segunda-feira (2), um ataque a tiros matou ao menos quatro pessoas e feriu mais de duas dezenas na região central de Viena, local da principal sinagoga da cidade.

A ação foi perpetrada aparentemente por um único terrorista, que terminou morto e foi descrito pelo ministro do interior austríaco como sendo simpatizante da facção extremista Estado Islâmico (EI). No ano passado, ele fora condenado a 22 meses de prisão em razão de sua tentativa de viajar à Síria para se juntar ao EI. Encontrava-se em liberdade condicional.

Depois de assombrar o mundo com seu projeto insano de instaurar um califado em território que se estende da Síria ao Iraque, o EI perdeu nos últimos anos sua base territorial e viu os principais líderes serem presos ou mortos.

Segue, contudo, irradiando suas ideias radicais e destrutivas, que conspurcam e ameaçam tudo aquilo que possa haver de pacífico, arejado e benfazejo na fé muçulmana.

Note-se, aliás, que o terrorismo fundamentalista islâmico é praga que atinge de forma covarde não só países do Ocidente, mas também nações de maioria muçulmana, como se viu no ataque à Universidade de Cabul (Afeganistão), na segunda-feira, que deixou 22 mortos e foi reivindicado pelo EI.

Nas semanas que antecederam esses atentados, o palco da barbárie foi a França. O primeiro ato hediondo ocorreu em Paris, onde um professor foi decapitado por um jovem de 18 anos.

Dias depois, na basílica de Nice, um homem armado com faca matou três pessoas, incluindo uma brasileira, aos gritos de “Alá é grande”, segundo testemunhas.

O primeiro desses episódios ecoa o ataque ao jornal satírico francês Charlie Hebdo, em 2015, que deixou 12 mortos. O professor degolado havia, pouco antes do atentado, exibido caricaturas do profeta Maomé durante uma aula sobre a liberdade de expressão.

Agora, como antes, radicais buscam sufocar valores fundamentais da moderna civilização ocidental sob o pretexto de terem sido ofendidos em sua religião. As caricaturas, deveria ser ocioso lembrar, não atentam contra nenhum direito nem limitam qualquer liberdade.

Em reação, o presidente Emmanuel Macron anunciou uma série de providências voltadas a enfrentar o que ele identifica como um separatismo islâmico crescente no país. O futuro mostrará o acerto ou não das medidas. Inquestionável, porém, é o espírito que as anima —a defesa intransigente da razão, da liberdade e da tolerância.

editorial@grupofolha.com.br

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