Descrição de chapéu
Tendências Debates Natal

O Natal e a Igreja Católica

Nasceu Jesus, pessoa divina; cem por cento Deus, cem por cento homem

Edson Luiz Sampel

Teólogo e professor da Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo, da Arquidiocese de São Paulo; autor, entre outros livros, de 'Noções de Direito Constitucional Canônico' (ed. Santuário)

O Natal não é a festa mais importante do cristianismo; é a Páscoa, quando comemoramos a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo. Mas o Natal faz-nos celebrar a encarnação de Deus na história. Com efeito, há 2.000 anos, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade uniu-se hipostaticamente à natureza humana do rebento de Maria. Nasceu Jesus, pessoa divina; cem por cento Deus, cem por cento homem. Daí o grandioso epíteto da virgem Maria: mãe de Deus.

Gostaria de destacar dois corolários relevantíssimos que decorrem diretamente do feérico acontecimento do Natal; isto é, da peculiar intervenção de Deus na história.

Detalhe de presépio montado para o Circuito do Presépio em casa de moradora de Santa Luzia (MG); neste ano, turistas só poderão observar as obras pelas janelas das casas para evitar a propagação do coronavírus - Douglas Magno 21.dez.20/AFP)

O primeiro deles diz respeito à fundação da Igreja Católica. Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, igual a nós em tudo, menos no pecado, erigiu uma igreja. Nomeou são Pedro como o primeiro papa (Mateus 16, 18). Deveras, consoante escrevi alhures, “esta assertiva [a fundação da Igreja Católica por Cristo] não depende de fé. Trata-se de fato histórico, comprovado documentalmente” (“Elementos de Direito Eclesiástico Brasileiro”, p. 65). Desde são Pedro, houve, ininterruptamente, 266 papas. O magistério do Concílio Vaticano 2º, sem respeito humano, assevera que “a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária (...)” (“Constituição dogmática Lumen Gentium”, n. 14a).

Desta feita, o Natal, ou seja, o nascimento de Jesus propiciou o advento de uma instituição bimilenar, a Igreja Católica, pessoa moral (espécie de pessoa jurídica), consistente no próprio corpo místico de Cristo (1 Coríntios 12, 12-27). Podemos dizer que a voz de Cristo continua ecoando na igreja por 2.000 anos. Igreja composta pela hierarquia (diáconos, padres e bispos) e, majoritariamente, pelos leigos, os católicos correntes. Assim, não nos encontramos em face de um conspícuo profeta, cujo nascimento (Natal) celebramos hoje, porém personagem longínqua e inacessível nas brumas do passado. Jesus continua vivo e atual na Igreja Católica, na sociedade que ele quis e fundou.

Sem embargo —e aqui vem o segundo corolário do Natal—, a carne e o sangue do Jesus histórico, exatamente isto, o corpo físico daquele varão parido numa gruta de Belém, é-nos amorosamente ofertado, para manducação, em toda missa.

É o milagre da transubstanciação, que ocorre no terceiro dos sete sacramentos instituídos por Jesus: a eucaristia. Sem dúvida, o mais sublime de todos os sacramentos! Jesus celebrou a primeira missa (Mateus 26, 26-29) e há 20 centúrias os sacerdotes católicos, dizendo missa, atualizam, de forma incruenta, o sacrifício da cruz. Como ministros, oferecem aos fiéis a hóstia e o vinho consagrados —os quais, sob aparência de pão e vinho, contêm o corpo, o sangue, a alma e a divindade daquele menino que nasceu pobrezinho em Belém.

Ao lume da fé, observamos, então, que a Igreja Católica nos aproxima maravilhosa e incomparavelmente do menino-Deus do Natal!

TENDÊNCIAS / DEBATES
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.​​

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.