Descrição de chapéu
Tom Farias

A verdade é sexy, como na posse de Biden-Kamala

Biden diz que é preciso ficar de olhos abertos para atos de governantes que usam o estratagema da mentira

O discurso de posse de Joe Biden, sobretudo quando faz a defesa “da verdade sobre a mentira”, sorri debochadamente como um recado ao governo do Brasil e, em especial, a todos os brasileiros. Entre outras coisas, o homem mais poderoso do mundo diz que é preciso ficar de olhos bem abertos para atos de governantes que usam o estratagema da mentira (que vai além de fake news) para encobrir sua ineficiência e burlar a democracia.

É, supostamente sabemos, estratégia das mais fajutas, mas realizável plenamente, como vimos na façanha aloucada de Donald Trump, que fez de tudo para não legitimar o processo das eleições e apoiou a turba que invadiu o Capitólio.

Como isso interfere nas condições políticas e democráticas? Em quase tudo, especialmente no pressuposto de que não podemos menosprezar ações de homens como Trump nem o aloprismo tupiniquim de um Jair Bolsonaro, que tem um “Messias” no nome.

Por trás do discurso de ódio, como no caso dos EUA e das ameaças veladas por aqui (“quando acabar a saliva, tem que ter pólvora”), o olhar é de atenção, enquanto os ouvidos precisam estar afiados para a distopia dos discursos governistas. A democracia brasileira é não apenas nova, é frágil. De tempos em tempos, sofre seus abalos. O primeiro presidente, o militar Deodoro da Fonseca, não aguentou o regime que ajudou a criar e renunciou. Fica aí uma sugestão (e o faço sob ameaça de ganhar processo).

O poder nas mãos de um despreparado para exercê-lo tem o mesmo efeito de uma bomba atômica. O sujeito senta-se naquela cadeira de couro, acha que é o parente mais íntimo de Deus e resolve mudar (não criar) o mundo a seu bel-prazer. Dá ordens, depois nega que deu, ou as modifica, da noite para o dia, como se a imprensa (sobretudo esta Folha) não estivesse atenta a toda sorte de sandices ditas e praticadas desde antes da sua posse.

Joe Biden deu aquele recado que mais parece com o “vestir a carapuça”, seja quando fala de segurança, a cargo agora de um negão, o general Lloyd Austin, seja quando trata do meio ambiente ou da crise sanitária, em um país que perdeu mais de 400 mil vidas. A volta ao Acordo de Paris e a chancela à OMS são outros dois “toques” relevantes, que, se bem traduzidos para o português, tem o sentido: “olha, acabou a gracinha”.

Outro dia li uma frase afirmando o quanto a verdade é sexy. A verdade, de fato, tem beleza. A posse de Biden-Kamala foi a posse do sorriso, da elegância, da cordialidade. Da diversidade, acima de tudo. Bela sugestão a ser seguida por aqui, depois que for defenestrado do poder tudo o que é ódio, mentira e deselegância.

Tom Farias é jornalista e escritor, autor de “Escritos negros” e “A Bolha"

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