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Geraldo Barbosa

Clínicas particulares devem aplicar vacina contra o coronavírus? SIM

Sinergia com sistema público garantirá acesso mais célere a diversos grupos

Geraldo Barbosa

Presidente da Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC)

Após meses vivendo as mazelas impostas pela pandemia de Covid-19, o início da imunização coletiva já se tornou realidade em muitos países, o que aumenta o anseio pela vacinação no Brasil para que nossa população possa voltar a se movimentar de forma segura no menor tempo possível. Não é hora para competição, mas para cooperação.

A Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), logo após a divulgação do plano de imunização contra a Covid-19 pelo Ministério da Saúde, colocou a estrutura de vacinação da rede privada de clínicas à disposição do governo federal para apoio logístico nessa desafiadora campanha. Essa oferta de parceria permanece ativa.

O mercado privado brasileiro de vacinas é hoje o terceiro maior do mundo, atrás somente de EUA e Rússia. Não há vacinação nas clínicas particulares sem alinhamento com o governo federal, e trabalhamos para complementar o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde na cobertura vacinal da população. Essa junção de esferas, há décadas, faz do nosso país referência mundial em programas eficazes dessa natureza.

O surgimento das campanhas corporativas de vacinação no início dos anos 1990, com a imunização em massa dos colaboradores e ofertada pelas empresas, permitiu um incremento efetivo da cobertura vacinal, como no caso da vacinação contra a gripe. Essa sinergia se desenha como um caminho vitorioso contra o novo coronavírus, já que desonera o sistema público de saúde e reduz a espera pelo imunizante, garantindo o acesso mais célere a diversos grupos.

A Índia é o maior produtor mundial de vacinas —fornece mais de 50% dos imunizantes do planeta— e tem capacidade para suprir a demanda interna e ainda exportar. O acordo com a Bharat Biotech para a compra das 5 milhões de doses da Covaxin, vacina contra a Covid-19 produzida pelo laboratório, é uma oportunidade para trazer também outros imunizantes que podem dar conta da recorrente carência que nossa saúde enfrenta nessa área.

Se não forem direcionadas para o mercado privado, teremos 2,5 milhões de brasileiros a menos imunizados neste primeiro momento, já que essas doses não fazem parte das tratativas do Ministério da Saúde. Vale reforçar que não haverá nenhuma competição para a aquisição de seringas e agulhas, uma vez que as vacinas já estão sendo negociadas com seus insumos.

Portanto, não há intenção, por parte do setor privado, de travar uma corrida contra a rede pública para o início da vacinação, visto que o governo federal já deu sinais de iniciar a imunização o quanto antes, e essa ação será posteriormente reforçada pela rede privada —sem conflito ou prejuízo, como é de nossa tradição.

Buscar alternativas para a ampliação da cobertura vacinal é o que a ABCVAC vem fazendo incansavelmente. Abrir mão da capacidade econômica do setor privado de financiar ações de vacinação e tachar tentativas nesse sentido de imorais e segregacionistas são atitudes que não ajudarão a desviar nosso país do precipício que uma pandemia, por si só, já impõe.

A divulgação desses acordos com a Índia está provocando reflexão efetiva e profunda sobre o tema, que esperamos ser capazes de trazer ainda mais soluções para salvar o maior número possível de vidas.

Vacinar a população neste momento é uma campanha desafiadora, que precisa do envolvimento de todos os setores. Estamos muito motivados com a chance de agregar agilidade à imunização brasileira a partir da união entre os sistemas público e privado.

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