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Simone Tebet

Ser presidida, antes de presidir

Casa precisa voltar a ser caixa de ressonância da sociedade

Simone Tebet

Senadora da República (MDB-MS), é candidata à presidência do Senado Federal

A minha candidatura à Presidência do Senado Federal é um ato em defesa da independência do Legislativo, sem deixar de lado a relação harmônica que a Casa deve ter com os demais Poderes, Executivo e Judiciário.

Digo minha, mas poderia falar nossa candidatura, porque, se eleita, darei voz e respeitarei as prerrogativas de todos os senadores e senadoras, indistintamente, e garantirei, em todas as fases do processo legislativo, a soberania do plenário. Serei presidida, antes de presidir.

Não se trata de uma questão de querer, mas de entender a necessidade de o Senado ter um comando aberto ao diálogo, interno e externo.

Entendo que o grave momento de crises sanitária, econômica, social e política, provocadas pela pandemia de Covid-19, exige liderança.

Mas uma liderança que saiba ouvir e votar com responsabilidade os projetos, sejam eles de iniciativa da Casa ou do governo federal, porque o critério será, sempre, o interesse do país.

As portas de entrada do Senado Federal deverão permanecer sempre abertas à discussão e à busca de soluções para as nossas crises, para que possamos encontrar, juntos, as melhores saídas.

Isso passa por duas prioridades, no curtíssimo prazo: a viabilização do Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a Covid-19 e a discussão de uma política de proteção aos menos favorecidos, pelo menos enquanto não tivermos condições mais abrangentes de vacinação.

A realidade atual impõe a necessidade de que toda a estrutura do Congresso Nacional seja mobilizada para assegurar, nos limites de nossas atribuições, que os insumos necessários à fabricação das vacinas sejam disponibilizados no tempo necessário.

A prorrogação do auxílio emergencial é uma alternativa que precisa ser viabilizada do ponto de vista fiscal, mas ela tem de partir da iniciativa do Executivo, que detém as informações relativas às contas públicas.

Passadas as nuvens escuras da pandemia do coronavírus, é preciso que voltemos à discussão das reformas estruturantes, reclamadas desde muito tempo, em especial a reforma tributária, para que tenhamos, finalmente, uma justiça tributária multiplicadora de empregos e promotora do desenvolvimento.

Dessa forma poderemos, também e principalmente, atacar um dos nossos maiores desafios, que é a diminuição das desigualdades sociais que tanto nos envergonham no cenário mundial.

Tenho consciência da importância da minha missão, ainda mais por ser a primeira mulher candidata à presidência do Senado Federal —o que me honra, mas que não deixa de me causar uma dose de indignação; afinal, o Senado já possui quase 200 anos de história. A galeria de ex-presidentes da Casa é devedora com as mulheres brasileiras.

Fui a primeira prefeita de Três Lagoas (MS), minha cidade natal, inaugurando 12 anos de gestão feminina naquela prefeitura. Fui também a primeira vice-governadora de Mato Grosso do Sul, a primeira presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e líder da bancada do meu partido no Senado.

Meu objetivo maior é assegurar que o Senado volte a ser uma caixa de ressonância da sociedade, com toda sua pluralidade de pensamento. Nossa missão é agir com equilíbrio e respeito, sem nos deixar contaminar pelo radicalismo de setores minoritários.

Estou certa de que nossa democracia é madura o suficiente para superarmos esse momento dramático em que vivemos. Os brasileiros contam com isso.

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