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Vida pós-Trump

Dividido, Partido Republicano terá de lidar com a influência do ainda presidente

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O presidente dos EUA, Donald Trump - Tom Brenner/Reuters

O turbulento fim da biliosa passagem de Donald Trump pela Presidência dos EUA, tão agudo que poderá lhe custar os direitos políticos, expõe um dos efeitos duradouros dos anos do bilionário no poder: a divisão do Partido Republicano, um dos esteios da democracia nos Estados Unidos.

Comentaristas argumentam que isso não seria uma má ideia, dado o poço de extremismo que foi cavado no quintal daquele que orgulhosamente enverga a sigla inglesa GOP, ou grandioso velho partido —e, em seus melhores momentos, representou o espírito libertário e empreendedor da nação.

Mais importante, firmou real alternância de poder com seu irmão siamês, o Partido Democrata. Faces de uma mesma moeda, as siglas se complementavam e, quando a democracia parecia funcional, encorpavam o sistema de freios e contrapesos vigente no país.

No pior momento, o GOP teve Donald Trump à sua frente. Ele não é um bólido exógeno, claro, e sim o produto de forças alimentadas pelas mudanças demográficas e econômicas. Na hora oportuna, tomou de assalto as estruturas de um partido que titubeava.

Foi conduíte da dita América profunda, desaguando na infame invasão do Capitólio. Cada manifestação da direita radical do movimento Tea Party, nos anos 2000, floresceu na administração Trump.

Como mostram os 147 votos de congressistas a favor da tentativa de barrar a eleição de Joe Biden, a contaminação é estrutural.

Ainda que dez deputados do GOP tenham votado pelo impeachment de Trump e haja uma crescente rejeição a ele no Senado, pesquisa Axios-Ipsos desta semana mostrou que 36% dos republicanos ainda se definem como trumpistas. Dessa forma, o desembarque de partidários mais serenos carrega o desafio de não implodir a sigla.

Parece tarefa difícil, como mostrou enquete do jornal New York Times com 40 líderes nacionais do partido. O poder do ainda presidente segue firme entre eles.

A influência de Trump permanecerá, embora essa seja uma assertiva a ser tomada com um grão de sal: se o ícone perder direitos políticos, ela poderá evaporar —o que talvez não impedirá que outro do mesmo naipe venha reclamar os 75 milhões de votos que chancelaram o presidente em novembro.

editoriais@grupofolha.com.br

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