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Diálogo amazônico

Contato com governo Biden sobre ambiente desfaz por ora temor de antagonismo

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O enviado especial dos EUA para o clima, John Kerry - Mandel Ngan/AFP

A chegada de Joe Biden à Casa Branca representou duro revés internacional para o governo Jair Bolsonaro —e não apenas pela derrocada do outrora principal aliado ideológico do mandatário brasileiro. Com a ascensão do democrata, ganhou relevância a agenda ambiental, na qual o Brasil só acumulou retrocessos nos últimos dois anos.

As tensões ficaram explícitas ainda na campanha. No primeiro debate presidencial, o então candidato Biden criticou a devastação da floresta amazônica e acenou com sanções econômicas ao Brasil.

No cargo, assinou de imediato uma série de medidas inserindo o tópico da mudança climática no centro das decisões concernentes à política doméstica, à segurança nacional e às relações exteriores.

Diante disso, ganharam corpo especulações, motivadas também pela pressão das alas mais à esquerda do Partido Democrata, de que os EUA passariam a ter uma postura antes de enfrentamento que de cooperação com o Brasil.

Ao menos por ora, essa hipótese parece afastada. Na quarta (17), os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, se reuniram por videoconferência com o enviado especial para o clima, John Kerry, a mais alta autoridade sobre o tema no governo americano.

Amistoso, o encontro serviu, segundo as pastas, para discutir “possibilidades de cooperação” em mudança do clima e combate ao desmatamento. Ambas as partes se comprometeram também a manter o diálogo “em busca de soluções rentáveis e duradouras aos desafios climáticos comuns”.

De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, o Brasil ainda manifestou na reunião a posição que vem defendendo em fóruns internacionais: o compromisso com a redução do desmatamento e das queimadas passa pela injeção de recursos dos países ricos.

O argumento, evidentemente, tem muito de mera retórica. Caberia questionar, por exemplo, por que o governo brasileiro desmantelou o bilionário Fundo Amazônia, fonte de recursos para a floresta mantida por doações de Noruega e Alemanha.

De todo modo, foram positivos os sinais de pragmatismo emitidos nesse primeiro encontro, deixando abertas as portas para parcerias entre os dois governos. Palavras e mesuras diplomáticas à parte, serão as ações concretas da administração brasileira que vão determinar o sucesso da relação.

editoriais@grupofolha.com.br

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