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Dilema equatoriano

Com nomes definidos no 2º turno, país lida com demanda social e crise fiscal

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Guillermo Lasso (ao centro), candidato à Presidência do Equador, acena durante evento de campanha - Rodrigo Buendia/AFP

Decorridas duas semanas desde o primeiro turno das eleições presidenciais do Equador, afinal foram conhecidos os postulantes que se enfrentarão na rodada definitiva a ser realizada em 11 de abril.

No domingo (21), após uma apuração marcada por recontagens, impugnações e acusações de fraude, o órgão eleitoral do país anunciou que o candidato de centro-direita Guillermo Lasso superou, por margem minúscula, o líder indígena Yaku Pérez e, portanto, disputará o segundo turno contra o esquerdista Andrés Arauz.

Para além das diferenças ideológicas, os dois candidatos se distinguem por suas posições ante o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), que ainda exerce grande influência na política do país, mesmo vivendo na Bélgica desde 2017.

Favorecido pelo aumento dos preços de exportação de commodities, Correa colheu bons resultados na economia, que cresceu em média 3,3% durante seus anos no poder. Com as verbas extras, promoveu uma série de reformas sociais, como a ampliação das políticas de redistribuição de renda e a construção de escolas, estradas e moradias subsidiadas.

Ao mesmo tempo, escancarou a face autoritária, avançando contra a imprensa e adversários políticos, além de ver-se envolvido em escândalos de corrupção. Em 2020, foi condenado a oito anos de prisão por favorecimento a empresas, entre elas a brasileira Odebrecht, em troca de recursos para seu partido.

Depois de tentar, e não conseguir, ser vice na chapa de Arauz, Correa assumiu o papel de seu padrinho político —suficiente para alavancar um nome até então pouco conhecido do público.

Entre as promessas do candidato constam, como seria de esperar, o retorno das políticas de redistribuição de renda e alto gasto público, bem como um auxílio de US$ 1.000 aos mais de 1 milhão de equatorianos desempregados.

Já o antagonista do ex-presidente, Lasso, embora defenda políticas de austeridade, também anunciou bônus e moradias para os afligidos pela calamidade sanitária, além de comprometer-se com a criação de 1 milhão de postos de trabalho.

Desafiador será coadunar as demandas por seguridade social, agravadas pela crise, com a difícil situação fiscal do país, que acumula queda de cerca de 10% no PIB em 2020 e endividamento crescente —dilema que, em maior ou menor proporção, também se coloca para os demais latino-americanos.

editoriais@grupofolha.com.br

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