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José Manuel Diogo

Quanto tempo tem 100 anos?

Centenária, a Folha sabe que a memória é o lugar mais poderoso do mundo

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José Manuel Diogo

Diretor da Câmara de Comércio e Indústria Luso Brasileira, presidente da Informacion Capital e especialista em media intelligence; é autor de 'As Grandes Agências Secretas' (ed. Levoir)

Todos os que utilizam a língua portuguesa para comunicar sabem que a Folha é uma espécie de Olimpo moderno para quem ama Camões, Amado, Pessoa, Vinícius e Assis.

Todos os que escolheram ter uma vida perto do debate das ideias, das letras, das palavras, da política, da ciência e do progresso, sabem que a Folha é uma instituição maior que o tempo de cada um de nós e, em muitos casos, é a semente mais sólida da nossa memória coletiva.

Todos os que aspiram a ser homens do seu tempo, que têm um compromisso com melhorar cotidianamente a sociedade e acreditam que a liberdade é o bem mais precioso que existe, também sabem que a Folha é esse primeiro ponto onde a história (escrita em português) começa.

Mas a Folha é muito mais que aquele lugar onde, ao longo de um século, milhares de homens e mulheres, jornalistas e personalidades ímpares da história recente, colocaram em notícias, colunas, reportagens e fotografias o mais importante que a vida teve em São Paulo, no Brasil, na América Latina e no mundo.

Foi na Folha que as charges de Belmonte irritaram Joseph Goebbels; que Jorge Amado declarou seu amor por Zélia Gattai e que Maurício nos mostrou o cachorro Bidu. Foi na Folha que a ditadura se fez branda e por amor à verdade mais tarde se admitiu o erro.

Foi na Folha que, quando decretado o AI-5, publicaram-se denúncias de tortura. Foi na Folha que se denunciou a censura e a corrupção, que se resistiu à depredação dos apoiadores de Vargas, à escalada fascista de Collor de Mello e às represálias de Jair Bolsonaro.

Foi na Folha que se desmascarou o esquema de compra de votos de deputados para a emenda da reeleição de FHC e a CBF, quando tinha tentado vender a canarinha para a Nike.

Foi também na Folha que o jornalismo mudou; que o marinheiro Popeye pela primeira vez se fez quadrinho de jornal e o serviço "Folha Informações", antecipando o futuro, ficou atendendo a demanda telefônica por notícias. Desde 1943 até 1992: 49 anos, até chegar a internet!

Saiba que foi na Folha que, pela primeira vez no Brasil, o offset tornou nítidas as fotos; que alguém entendeu que o tratamento dos dados era o ouro do futuro, criando o Datafolha; que os jornalistas seguem o mesmo Manual de Redação; que os leitores têm seu representante (ombudsman); que se publicou a primeira foto totalmente digital; e que pela primeira fez se perceber que as redes sociais são negócios e não jornalismo.

Todos os que amam a língua de Camões, Drummond, Saramago, Meireles, Torga, Buarque e Alencar sabem que a memória é o lugar mais poderoso do mundo, porque é lá que passado e presente se encontram, desenhando o futuro.

A Folha é esse lugar. Hoje e daqui a 100 anos.

TENDÊNCIAS / DEBATES
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.​​

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