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Bibi no labirinto

Reinado de Netanyahu alimenta impasse após nova eleição inconclusiva em Israel

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O premiê Binyamin Netanyahu, de Israel - Menahem Kahana/Reuters

Pela quarta vez em dois anos, os israelenses foram às urnas para eleger membros do Knesset, o Parlamento local. O resultado foi o mesmo das três tentativas anteriores —a pulverização que impede a formação de um governo estável.

No centro do debate está, como nas ocasiões anteriores, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.
Figura de proa da política do Estado judeu, ele é o mais longevo ocupante do cargo: está na cadeira há 12 anos consecutivos, fora um termo de 3 anos nos anos 1990.

Poder corrompe e desgasta, nem sempre nessa ordem. Acerca da corrupção, Bibi, como o premiê é conhecido, responde a três investigações, que ameaçam levá-lo para a cadeia. Ele nega malfeitos.

Sobre o desgaste, o quadro é mais matizado. A recorrência dos pleitos mostra que o tamanho de Bibi tornou-se um problema para a funcionalidade eleitoral do país.

Mas também aponta seu cacife, decorrente da imagem de estabilidade e segurança que muitos israelenses associam ao líder, às expensas de direitos palestinos.

Além disso, o primeiro-ministro foi decisivo no esforço até aqui notável de tornar o país líder mundial em porcentagem de população vacinada contra a Covid-19.

Na eleição da terça passada (23), os partidos que o apoiam amealharam 52 das 120 cadeiras do Knesset. Já os eleitos que rejeitam o premiê, 57, também não conseguem atingir a maioria de 61 necessária para formar uma coalizão governante.

Salvo traições, o destino de Bibi está nas mãos de um grupo de ultradireita, o Yemina (7 cadeiras), e do partido Lista Árabe Unida (4 cadeiras), que representa os 21% de árabes-israelenses do país.

No passado, o apoio árabe a um linha-dura como Bibi seria impensável, mas hoje o que impede um acerto é o fato de que a coalizão do premiê inclui o partido Sionismo Religioso, integrado por racistas.

Enquanto isso, o país ferve com rumores sobre promessas de cargos em troca de apoio e a hipótese de uma mudança legal que impeça investigados por corrupção de disputar eleição, mirando o premiê.

A incerteza deve durar até semana que vem, quando o presidente Reuven Rivlin terá de escolher quem tentará formar uma coalizão.

O caráter plebiscitário da eleição e sua nebulosa conclusão levam a crer que qualquer governo formado será de curta duração, e o psicodrama partidário de Israel, que reflete as enormes nuances de sua sociedade, seguirá em curso.

editoriais@grupofolha.com.br

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