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Divididos sobre Lula

Datafolha indica que petista terá muita rejeição a superar se for candidato

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Marlene Bergamo/Folhapress

A perspectiva de uma sexta candidatura presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva —e aqui não está contada a tentativa de 2018, barrada pela Justiça— divide o eleitorado.

Conforme a mais recente pesquisa Datafolha, 51% dos brasileiros aptos a votar consideram que o líder petista não deveria disputar o Planalto em 2022, mesmo com a anulação de suas condenações por corrupção. Aliás, 57% avaliam que foi justa a primeira delas, referente ao famoso tríplex de Guarujá (SP).

É notável que os números sejam muito semelhantes aos apurados três anos atrás, quando Lula havia sido condenado em segunda instância e rumava à inelegibilidade e à prisão. Tanto tempo e tanto desgaste da Lava Jato depois, a opinião dos eleitores sobre a culpa do ex-presidente pouco se alterou.

Da mesma forma, somam 47% os que hoje acham que ele deveria disputar a eleição, o mesmíssimo percentual verificado ao final de janeiro de 2018.

Naquela sondagem, 43% achavam injusta a condenação em segunda instância referente ao tríplex, ante 38% agora, quando a pergunta mencionou a sentença do ex-juiz Sergio Moro, declarado parcial nesta terça (23) pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal.

Se as cifras forem tomadas como um indicador das chances de Lula na corrida presidencial, parece evidente que o PT poderá estar mais uma vez no segundo turno —como ocorreu nos 5 últimos pleitos, 4 deles vencidos pela sigla.

Entretanto é igualmente clara a persistente rejeição ao petista em amplas fatias do eleitorado, o que tende a dificultar bastante sua tarefa numa eventual disputa contra apenas um adversário, mesmo que este venha a ser o também muito rejeitado Jair Bolsonaro.

Calcula-se que o ex-presidente, se de fato for liberado para concorrer, buscará aproximar-se do centro político com a moderação do discurso econômico, em movimento que já realizou com sucesso na vitória inaugural de 2002.

Não se trata de missão simples. A situação das finanças públicas é muito pior atualmente, o que exige compromisso com medidas duras e limita dramaticamente a margem para promessas de redenção social.

Contam a favor de Lula as políticas responsáveis que adotou em seu primeiro governo e os resultados que colheu, especialmente, no segundo. Sua capacidade de diálogo e negociação, ademais, faz contraste vistoso com a rispidez autoritária e estéril de Bolsonaro.

Mas na bagagem petista também se encontram, além dos inegáveis esquemas de corrupção, a satanização de adversários, a hostilidade à imprensa, o apoio a ditaduras de esquerda e, não menos importante, a ruína econômica promovida por Dilma Rousseff.

Uma revisão madura de todos esses tópicos seria proveitosa não apenas para o partido, mas para o próprio debate político nacional.

editoriais@grupofolha.com.br

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