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Eduardo Gomes

O Congresso deve instalar já a CPI da Covid? NÃO

Não seria racional desviar a atenção da preocupação maior, que é salvar vidas

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Eduardo Gomes

Senador da República (MDB-TO), é líder do governo no Congresso

De início, é relevante reconhecer a importância deste espaço da Folha em que, democraticamente, pontos e ideias antagônicas são colocados de forma clara e respeitosa.

Sobre o tema proposto, o Brasil, como todos os países, enfrenta a maior pandemia dos tempos modernos. A própria ciência ainda busca entender a complexidade e a magnitude deste vírus e encontrar remédios eficazes para combatê-lo. Os mais renomados cientistas, as melhores cabeças pensantes do planeta, em um esforço conjunto sem precedentes, conseguiram criar em tempo recorde vacinas que, mesmo que não tenham cumprido todos os protocolos exigidos pela ciência, têm apresentado resultados importantes.

O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso - Jefferson Rudy - 11.abr.20/Agência Senado

As vacinas se mostraram até agora as mais importantes ferramentas para diminuir a contaminação e salvar preciosas vidas. Todos os líderes mundiais, a despeito de suas disputas políticas internas, buscam caminhos e soluções que até o momento não foram encontrados e cuidam de proteger suas populações. Não há, por enquanto, apesar dos esforços de cientistas e laboratórios, um número de vacinas suficiente para imunizar a todos. E, obviamente, prevalece aí a lógica capitalista, e acaba valendo a lei do mais forte. As nações mais ricas vacinam primeiro. E estão experimentando a queda do número de vítimas, à medida em que o processo avança.

O Brasil possui um dos maiores e mais eficientes sistemas de vacinação pública do mundo e é produtor de vacinas. Os institutos Butantan e Fiocruz estão produzindo um importante número de doses, que são imediatamente aplicadas pelo SUS e que colocam o nosso país como o quinto no ranking global de vacinação. O governo federal aportou o maior volume de recursos da história para que estados e municípios pudessem enfrentar esse mal terrível.

O Congresso Nacional tem tido um papel de grande importância nesse quadro, já que votou com rapidez toda a estrutura legal que permitisse, ao tempo em que cuidava da parte médica, também acudir a população mais vulnerável e as empresas para minimizar o aumento do desemprego. Um programa social dessa dimensão não tem precedentes em nossa história.

Neste momento, estamos debruçados sobre temas importantes, como o Orçamento de 2021 e todas as medidas necessárias ao combate da Covid-19. Os órgãos de controle e a comissão da Covid no Senado acompanham e fiscalizam a aplicação dos recursos destinados ao enfrentamento da pandemia.

Todas essas informações estão preservadas para serem utilizadas no futuro, em momento oportuno, se houver essa necessidade. Socorro-me do pronunciamento recente do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL): “Não é hora de CPI da Covid ou lockdown legislativo”.

Todos nós sabemos do esforço exigido do Parlamento para levar adiante uma CPI. Neste momento crucial de nossa história, não seria racional desviar a atenção, tirando de foco a maior preocupação de todos nós, salvar vidas.

Por todas essas razões, minha posição é clara: CPI da Covid, agora, não.

Vamos nos concentrar em melhorar cada vez mais as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com a abertura de novas instalações de atendimento e, principalmente, agilizar a aquisição e aplicação imediata de doses de vacina, com capacidade para atender a todos os brasileiros. O momento é de união nacional de todas as forças políticas, da sociedade organizada e da população em geral para que possamos, dentro de pouco tempo e com a graça de Deus, comemorar a volta à normalidade.

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