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Leopoldo López

Venezuela precisa de unidade internacional

Emergência humanitária ameaça estabilidade de todo o continente

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Leopoldo López

Ex-prefeito de Chacao, é coordenador nacional do partido Vontade Popular; líder opositor, foi condenado pela ditadura de Nicolás Maduro e ficou preso por mais de cinco anos

Mais de 6,5 milhões de venezuelanos já fugiram da miséria através das fronteiras, e as Nações Unidas projetam que até o final de 2021 haverá mais de 8 milhões de pessoas desalojadas, transbordando a emergência humanitária para todo o continente e transformando a ditadura de Nicolás Maduro em uma séria ameaça à sua estabilidade. Estamos falando da segunda maior crise migratória do mundo.

As operações de Maduro e de seu círculo interno com o terrorismo e o tráfico de drogas são uma ameaça cada vez mais perigosa no hemisfério. Aqueles que usurpam o poder nunca estarão em condições de renunciar a ele, e isso transformou a ditadura em uma organização criminosa com poderosas ramificações internacionais. Estamos diante de um novo tipo de totalitarismo, mais sofisticado e com recursos para fugir da pressão nacional e global.

Durante anos, os democratas venezuelanos enfrentaram um regime capaz de tudo para se manter no poder. Percorremos todos os caminhos da luta, alguns sacrificaram sua liberdade e muitos perderam a vida nas mãos de um regime criminoso que não esconde sua vontade de se perpetuar no poder a qualquer custo.

Tomamos a rota eleitoral e, após uma árdua batalha por condições justas, alcançamos uma maioria esmagadora na Assembleia Nacional em 2015. A resposta da ditadura foi desconsiderar a vontade do povo e perseguir os deputados eleitos de forma legítima.

Assumimos a mobilização popular por meio de protestos pacíficos. A reação da ditadura foi a implantação de uma política de repressão e extermínio executada por órgãos policiais e militares que a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, exige que seja desmantelada.

Assumimos a negociação com o acompanhamento do Vaticano e de vários países amigos, apostando sempre em uma solução não traumática para o povo. A resposta da ditadura foi sempre a mesma: mentiras, zombarias e enganos.

Nosso povo se pergunta: que alternativas restam para pôr fim à ditadura? Por que não conseguimos, apesar de todos os esforços e sacrifícios?

Neste ano, os democratas venezuelanos têm a obrigação de reunir todas as forças da mudança, dentro e fora da Venezuela. E, claro, isso começa com uma revisão sincera e profunda, que implica refletir e aprender com nossos erros. Uma revisão que propõe consolidar a unidade como um bem para nossos objetivos.

A unidade tem uma dimensão chave na pressão internacional. Com muita gratidão e respeito aos aliados que nos ajudaram, pedimos ação de todo o mundo livre que apoia a causa da liberdade na Venezuela.

A frente internacional deve ser articulada sob um senso estratégico comum, multilateral, adaptada às novas realidades para derrotar uma ditadura do século 21. Alcançamos progressos, mas o mundo livre precisa se organizar de forma coesa para forçar a transição com um objetivo: realizar eleições presidenciais livres e verificáveis.

O governo brasileiro, diante desta realidade, tem estado disposto a se unir com outros países da região. Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores apontou que a diplomacia complacente, referindo-se a governos passados que se aliaram à ditadura de Maduro, são um “exemplo de cegueira e servidão ideológica, prejudicial aos interesses materiais e morais do povo brasileiro e de toda a América Latina”.

No Brasil, cerca de 90% dos refugiados são venezuelanos. Estima-se que existam mais de 250 mil irmãos e irmãs que buscaram um futuro melhor no país. O presidente Jair Bolsonaro compreende a necessidade de trabalhar em nível regional para restaurar a democracia na Venezuela e, portanto, é necessário reorientar os esforços nessa direção.

Estou profundamente comprometido com a consolidação dessa unidade. Com a liderança do presidente Juan Guaidó, estamos certos de que continuaremos a contar com o apoio do governo e do povo brasileiros para articular a pressão pela saída de Maduro, denunciando crimes e violações dos direitos humanos que a ditadura está cometendo para acabar com um problema que não é só da Venezuela, mas de toda a região e do mundo livre.

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