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Avanços concedidos

Leilões na área de infraestrutura atraem operadores mais qualificados ao país

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Ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura) no leilão de aeroportos - José Fernando Ogura/AEN

No cenário atual de agravamento da crise sanitária e incerteza econômica e política, a infraestrutura segue como uma das poucas áreas com progresso palpável. O programa de concessões na área visa leiloar cem ativos até 2022 e obter R$ 260 bilhões em investimentos.

Na semana passada foi cumprida mais uma etapa desse cronograma, com a concessão para a iniciativa privada de 22 aeroportos, cinco terminais portuários e o trecho ferroviário que pretende ligar o porto de Ilhéus à Norte-Sul, objeto de preocupações ambientais.

Os certames renderam R$ 3,5 bilhões em outorgas para os cofres da União e contrataram investimentos de R$ 10 bilhões. Ainda em 2021 o governo espera conceder mais 22 empreendimentos, com aportes de R$ 130 bilhões.

A semana intensa foi uma preparação para ambições maiores. No caso dos aeroportos foram passados para a iniciativa privada os blocos Norte, Sul e Centro-Oeste. A lógica de blocos tem o objetivo de garantir que, com os principais aeroportos, os novos concessionários se comprometam com melhorias em localidades menos atrativas.

O bloco Norte, arrematado pela francesa Vinci, inclui, além do aeroporto de Manaus, terminais em Rio Branco e Cruzeiro do Sul (AC), Boa Vista (RR), Porto Velho (RO), Tabatinga e Tefé (AM).

A concessionária vê potencial para Manaus, o foco principal da região, se transformar no módulo de integração das Américas, mas também terá que investir R$ 1,4 bilhão nos outros ativos.

Consolidado um modelo até agora bem-sucedido em atrair operadores internacionais experientes, a próxima etapa será a concessão neste ano de outros 16 aeroportos, incluindo Congonhas, na capital paulista, e Santos Dumont, no Rio.

Na área rodoviária estão previstos os leilões da Nova Dutra e outros trechos de alto impacto econômico no Centro-Oeste. Há ainda a pretensão de conceder o porto de Santos como parte do programa.

O país se lança como atraente destino para investimentos em infraestrutura. Além da melhor estruturação dos leilões, incorporando de forma mais adequada critérios de retorno e risco, observa-se uma mudança importante no padrão das empresas interessadas.

Não se trata mais de empreiteiras ligadas a políticos, mas cada vez mais de gestores profissionais estabelecidos mundialmente e de fundos de investimento privados, ambos orientados por parâmetros de mercado e com amplo acesso ao mercado de capitais.

A concorrência e a diversidade têm aumentado, o que decerto favorece o mercado. Melhor governança e solidez regulatória não se constroem facilmente. Nesses quesitos há avanços a comemorar.

editoriais@grupofolha.com.br

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