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Manifesto de presidenciáveis mostra sinal de vida da divergência civilizada

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Debate entre presidenciáveis em 2018 - Gabriel Cardoso - 26.set.18/SBT

Por ao menos dois motivos, é bem-vindo o manifesto em favor da democracia assinado por seis candidatos potenciais à Presidência, independentemente de preferências por qualquer um dos envolvidos.

Em primeiro lugar, pelo objeto do documento, que em outros tempos pareceria mera platitude. Embora as instituições democráticas do país venham mostrando sua força diante de um presidente que busca a todo momento aviltá-las, esse é um embate a ser abertamente rechaçado por todas as lideranças relevantes da sociedade.

Note-se que o texto —endossado pelos governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM), pelo apresentador de TV Luciano Huck, pelo ex-banqueiro João Amoêdo (Novo) e pelo ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT-CE)— foi divulgado no 57º aniversário do golpe de 1964 e em meio a uma crise militar.

Esta, ao menos, se deu por uma boa causa, quando os três comandantes das Forças Armadas deixaram os postos ao não aceitarem pressões de Jair Bolsonaro por apoio explícito a seu governo.

A declaração dos presidenciáveis é também alvissareira por mostrar sinal de vida da civilidade e da aceitação da divergência na política nacional, seriamente avariadas pelos conflitos dos últimos anos.

Se considerado o espectro ideológico, o grupo vai da centro-esquerda (Ciro) a eleitores declarados de Bolsonaro no segundo turno de 2018, casos de Doria, Leite e Amoêdo, incluindo um ex-integrante do atual governo (Mandetta), todos hoje na oposição.

Entre eles decerto houve e há rusgas e rivalidades, mas com o ato conjunto uns se reconhecem aos outros como postulantes legítimos ao Planalto e a outros cargos eletivos —um caminho que também o PT fará bem em trilhar, superando o discurso sectário e ressentido adotado com a derrocada do governo Dilma Rousseff.

Já os cálculos acerca de uma eventual aliança integral ou parcial entre os signatários do manifesto pertencem ainda ao terreno da especulação. São evidentes as dificuldades de uma empreitada do gênero, e mesmo a caracterização do grupo como uma união de nomes de centro se mostra duvidosa.

Trata-se, mais propriamente, de forças que buscam algum espaço entre o bolsonarismo e o lulismo, protagonistas da disputa presidencial passada —o que agora foi dificultado pela restauração dos direitos políticos do ex-presidente Lula.

Além de zelar pelo ambiente democrático, cumpre oxigenar práticas políticas e amadurecer propostas de governo. E tudo terá de ser combinado com os eleitores.

editoriais@grupofolha.com.br

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