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Maria Paula

Convergir para não sucumbir

Somos um só povo, não podemos mais agir como adversários ou inimigos

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Maria Paula

Atriz, psicanalista com mestrado em desenvolvimento humano e saúde (UnB) e embaixadora da paz

Há mais de uma década, quando ressaltava a importância da cultura de paz nas rodas de conversa entre artistas, políticos, empresários —enfim, no círculo de amigos que costumava frequentar—, era vista como uma pessoa utópica, quase ingênua. Meus colegas do “Casseta & Planeta” faziam piada do meu título de embaixadora da paz. Eu apenas sorria, pois sabia que estimular relações saudáveis regidas pela cooperação nada tinha a ver com ser boazinha. Tratava-se de uma questão de inteligência, e acreditava que, mais cedo ou mais tarde, o tempo agiria a meu favor.

As pautas primordiais da atualidade —pandemia, aquecimento global, bombardeios na Faixa de Gaza e o avanço acelerado das tecnologias disruptivas, sem que a regulamentação internacional possa garantir que a ética prevaleça (ou seja, esse momento histórico surreal que estamos vivendo)— acentuaram a relevância de tratarmos de construir uma visão pacificadora.

Ouso arriscar que pode ser considerado ingênuo aquele que ainda não percebeu que promover o diálogo entre liberais, conservadores e progressistas é algo imprescindível no Brasil. Precisamos provar que a convivência por meio de uma dialética sofisticada, que faça jus à pluralidade do nosso povo, é possível.

A urgência em romper com a incapacidade de renunciar ao autoengano que nos mantêm em bolhas alimentadas por notícias manipuladas, tentando provar que adversários são inimigos, é soberana. Somos um só povo, não podemos mais agir como adversários de nós mesmos. Muito menos como inimigos!

Diante de milhões de brasileiros desempregados, passando fome e do inevitável aumento da violência, investir em caminhos capazes de gerar acertos, acordos e reconciliações —enfim, apostar todas as nossas fichas num ponto de convergência onde soluções possam surgir— deve ser considerada “a ordem do dia”.

Daí surge uma parceria entre a Embaixada da Paz (associação fundada pelo meu grupo de colaboradores com o objetivo de promover a cultura de paz) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça), sob a presidência do ministro Humberto Martins.

Nosso primeiro evento é uma conferência que acontecerá nesta quinta-feira (27), às 8h30, pelo canal do YouTube do STJ (https://www.youtube.com/watch?v=ZFKcCwyEmA0), para discutir a miséria como origem da violência, com a presença de autoridades brasileiras e dois grandes expoentes internacionais: José Ramos-Horta, ex-presidente do Timor-Leste (Nobel da Paz em 1996), e o ativista Kailash Satyarthi (Nobel em 2014), ambos falando sobre a superação da miséria humana personificada na escravidão e na guerra.

Chegou a hora de a nação amadurecer, porque é disso que se trata. Amadurecer.

Numa situação conflituosa, cabe àquele que tiver maior maturidade conduzir os acontecimentos de modo a evitar que a violência se estabeleça. Precisamos nos preparar para lidar com o despreparo do outro e favorecer a atitude coletiva pacífica.

É hora de declarar a paz.

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