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Perda precoce

Morto aos 41, Bruno Covas deixa exemplo de civilidade e espírito público

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Bruno Covas, ao tomar posse como prefeito de São Paulo neste ano - Zanone Fraissat - 1.jan.21/Folhapress

A morte prematura de Bruno Covas não deixou apenas a capital paulista sem o prefeito que a maioria da população gostaria que cumprisse o mandato para o qual foi eleito. Sua ausência representa também uma perda para a política nacional. Aos 41 anos, Covas, não fosse a enfermidade que o acometeu, tinha a perspectiva de uma promissora carreira pública pela frente.

Em tempos de aguda polarização ideológica, que contaminou até mesmo a administração da mais grave crise sanitária em um século, ele soube mostrar compaixão e dedicação à cidade. Sua recondução ao cargo, em novembro de 2020, foi sem dúvida um reconhecimento a esse empenho.

Foi também notável e exemplar o modo transparente com que sempre tratou suas condições de saúde. Submetido a tratamentos severos, manteve-se o quanto possível à frente da administração.

As manifestações de apreço e as homenagens que recebeu de políticos de diversas tendências, inclusive de adversários, atestam o grau admirável de civilidade com que se pautou. Aberto a críticas e ao diálogo, contrapôs-se sem meias palavras a discursos autoritários.

Replicou, em novo contexto, as boas práticas do avô, Mario Covas, vítima de câncer enquanto governava o estado, 20 anos atrás.

Não há dúvida de que havia diversos aspectos a aperfeiçoar em sua gestão. O bom desempenho do igualmente jovem Guilherme Boulos (PSOL) na disputa municipal do ano passado ressaltou a importância de a prefeitura aumentar sua dedicação ao enfrentamento das desigualdades sociais, agravadas pela crise econômica e pelos percalços criados pela Covid-19.

O vice, Ricardo Nunes (MDB), que ora assume a prefeitura, tem diante de si um grande desafio. Questionado, durante a campanha eleitoral, por suas ligações com entidades gestoras de creches, o novo governante da cidade tem um perfil diferente, mais conservador.

Tem, contudo, renovado promessas de seguir as diretrizes do antecessor, mantendo inclusive o secretariado. Que o exemplo de Bruno Covas lhe sirva de inspiração.

editoriais@grupofolha.com.br

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