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José Elias Aiex Neto

Uma relação de família

Já são 286 cartas publicadas no Painel do Leitor: todas arquivadas em pastas

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José Elias Aiex Neto

Médico psiquiatra e escritor, é autor de ‘Psiquiatria sem Alma’ (Travessa dos Editores) e ‘Barbárie Consentida’ (ed. Epígrafe) e leitor da Folha há 45 anos

Como classificar um relacionamento entre um leitor e um jornal a não ser de familiar quando, depois de 30 anos de convivência como assinante, muitas designações e nomes ligados ao mesmo são tão familiares quanto os de pessoas próximas a nós?

Durante muito tempo o termo “família Folha” frequentou as páginas do jornal, além de slogans como “não dá pra não ler” ou “um jornal a serviço do Brasil”. Além da família Frias, jornalistas como Clóvis Rossi, Janio de Freitas, Elio Gaspari, Hélio Schwartsman e Gilberto Dimenstein, e colunistas como José Simão, ​Drauzio Varella e outros, sempre estiveram presentes nas minhas leituras diárias.

Comecei a ler a Folha há cerca de 45 anos, quando terminei o curso de medicina. Além das notícias, dos editoriais e dos artigos de opinião, nunca deixei de ler as cartas dos leitores —alguns, como Carlito Maia e Hans John Meyer, eram assíduos frequentadores do espaço. Em 1989, tive publicada a primeira carta no Painel do Leitor; a partir daí, muitas a sucederam com frequência. Algumas foram marcantes para mim, como a em que fui solidário a Gilberto Dimenstein, que estava sendo processado por um deputado federal do Nordeste, a quem chamara de “gigolô da miséria”.

Hoje contabilizo 286 cartas publicadas no espaço nobre da página 3 do jornal. Estão todas arquivadas em pastas, geralmente acompanhadas da reportagem que as motivou.

Em 1993, enviei o primeiro artigo de opinião para o jornal. Versava sobre a municipalização da saúde, e o escrevi depois de ter sido secretário municipal de Saúde de Foz do Iguaçu (PR). Depois deste vieram mais oito, com temas geralmente ligados à área da saúde. Em 1994, escrevi “Não quero viver da doença”, no qual assumi a minha prática como servidor público concursado e o abandono da clínica privada. Além deste, outros como “Receitem comida” e “Entendendo o predador”, publicado em 11 de setembro de 1998.

Este último consolidou em mim a certeza de que a Folha levava a sério o seu compromisso com o contraditório. Nele expliquei como funciona a mente de um psicopata —em resposta a um artigo anterior de Otavio Frias Filho, “A confissão do predador”, no qual ele apontava que os psiquiatras não explicavam o comportamento de um assassino alcunhado de “motoboy” e que havia matado sete mulheres. Meu artigo começava assim: “Discordo de Otavio Frias Filho...”. Imaginei que não seria publicado, mas o foi.

Ao longo dos últimos 20 anos me tornei escritor, tendo já publicado seis livros —a maioria sobre saúde mental e dependência química. Em alguns deles citei reportagens publicadas pela Folha e cartas com meus respectivos comentários.

Hoje posso dizer que a minha vida está muita ligada à Folha, principalmente nos últimos 30 anos, que foi o tempo em que me tornei colaborador eventual do jornal. A sua leitura diária é uma obrigação, e o envio de cartas também é uma constante.

Diante de tudo o que relatei, só posso reafirmar que a minha relação com o jornal é como a de uma família, na qual identifico outros colaboradores que também são assíduos no espaço do leitor, como Ângela Bonacci, Turíbio Liberato, Uriel Villas Boas, Vicente Limongi Netto e tantos outros. Em nome deles rendo a minha homenagem à Folha pelo respeito que dedica aos seus leitores.

TENDÊNCIAS / DEBATES
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