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Violência de volta

Cena política contribui para reavivar os ataques entre israelenses e palestinos

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Fogo após ataque aéreo de Israel a Gaza - Rizek Abdeljawad/Xinhua

A violência voltou a eclodir em Jerusalém e Gaza. Um conflito mais intenso ou prolongado não interessa aos principais atores, mas isso não significa que o pior cenário esteja descartado no Oriente Médio.

O atual ciclo de confrontos surgiu de uma justaposição de fatores quase banais. Neste ano, a Noite do Decreto, o ponto alto do mês sagrado do Ramadã, quando os muçulmanos jejuam de dia e se reúnem nas ruas no período noturno, coincidiu com o Dia de Jerusalém, em que os judeus celebram a conquista da cidade na guerra de 1967.

Houve, além disso, um rumoroso caso judicial, em que a Suprema Corte poderia restituir a famílias judaicas propriedades num bairro árabe de Jerusalém Oriental. A Suprema Corte, por causa da violência, adiou a decisão, mas isso não bastou para reduzir a tensão.

O problema aqui é a própria lei, considerada injusta por permitir a famílias judaicas que provem posse de propriedades anterior a 1948 retomar as terras, mas sem estender esse direito a famílias palestinas na mesma situação.

Acrescente-se a isso o advento de redes sociais que estimulam jovens palestinos a lançar pedras contra forças de segurança israelenses e um chefe de polícia inexperiente.

Até aí, nada de tão extraordinário para Jerusalém. O que adicionou combustível à fagulha foi a situação política. Na feliz expressão de Thomas Friedman, do New York Times, há um vácuo em que a Autoridade Nacional Palestina se mostra incapaz de fazer uma eleição, e os israelenses estão tão divididos que não param de fazer eleições.

Com efeito, Mahmoud Abbas, o presidente da ANP, foi eleito em 2005 para um mandato que acabaria em 2009, mas nunca deixou o cargo. Havia prometido novas eleições agora, mas cancelou o pleito.

O Hamas, que provavelmente venceria, não gostou e, para mostrar que exerce a liderança de fato, reagiu à violência em Jerusalém disparando mais de 150 foguetes de suas bases em Gaza contra Israel, que respondeu com bombardeios.

O premiê israelense Binyamin Netanyahu também caminha numa corda bamba. Ele acaba de fracassar na tentativa de formar um novo governo após o pleito de março, o quarto inconclusivo nos últimos dois anos. É a vez de seus adversários centristas tentarem. Se conseguirem, Netanyahu pode perder o cargo após 12 anos no poder.

Corre também o risco de parar na cadeia, já que está sendo julgado sob acusação de corrupção.

editoriais@grupofolha.com.br

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