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Belarus na mira

Ocidente tem desafio ao lidar com a ditadura, mais próxima do controle de Putin

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O ditador da Belarus, Alexander Lukachenko - 17.set.20/Reuters

Há 15 anos, Vladimir Putin era visto como um líder dinâmico que recolocara a Rússia no caminho da modernidade. Naquele 2005, contudo, o presidente chocou ao dizer que a dissolução da União Soviética em 1991 havia sido a “maior catástrofe geopolítica do século 20”.

Com a aliança militar ocidental, a Otan, devorando antigos satélites comunistas e até os ex-soviéticos Estados Bálticos, Putin reagiu. Emulando seus antecessores históricos, via nos vizinhos aliados ou submissos anteparos estratégicos a possíveis rotas de invasão.

Subjacente a isso, havia o fato de que populações russas étnicas ficaram para trás dos limites da pátria-mãe com o ocaso soviético.

Isso ajuda a entender o atual estágio da agônica crise entre Putin e o Ocidente, focado na Belarus. Última ditadura europeia, o país é um tampão ante as forças da Otan —a Ucrânia também o é, mas de forma desorganizada, imposta por Moscou após a derrubada de um governo favorável a Putin.

Aliado inconfiável, o ditador Aleksandr Lukachenko está sob intensa pressão desde que enfrentou o povo na rua devido a mais uma eleição fraudada, em agosto. A repressão interna intensificou-se, e Putin veio em seu socorro.

Primeiro, porque enfrenta em casa dissenso e não quer ver exemplos que lhe desagradem na vizinhança. Segundo, porque Lukachenko enfraquecido é presa mais fácil para seu desejo de absorver a Belarus em um Estado único com a Rússia, ou algo perto disso.

Só que o ditador deu um passo além ao determinar, na semana passada, que um caça obrigasse um avião comercial irlandês a desviar e pousar em Minsk.

Prendeu um jornalista crítico a seu governo e sua namorada, que estavam no voo, gerando ultraje internacional. A União Europeia determinou sanções e a Otan protestou, mas isso teve pouco impacto.

Após sugerir repreensão ao deixar Lukachenko esperando por uma semana, Putin enfim lhe deu apoio total em encontro pessoal. Isso deverá cimentar a proximidade entre os regimes, o que não é boa notícia para o mundo. Putin não é ainda um ditador, mas sua autocracia evoluiu a um estágio repressivo inaudito.

Sua aliança com Lukachenko é um desafio para o Ocidente, em especial para os países europeus que são dependentes do gás e do petróleo de Moscou. Alienar Putin seria tolo, mas lhe dar livre passagem pode ser ainda mais perigoso.

editoriais@grupofolha.com.br

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