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Semana do presidente

Mentiras, ataques e transgressões consomem jornada de Bolsonaro de 2ª a sábado

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O presidente Jair Bolsonaro durante ato com motociclistas em São Paulo - Adriano Vizoni/Folhapress

Noticiou-se no ano passado que o SBT cogitava ressuscitar o quadro “A Semana do Presidente”, atração dominical criada nos estertores da ditadura. Por bons motivos, a emissora não levou adiante a ideia. Imagine-se, por exemplo, como teria sido o programa mais recente.

Na segunda-feira, 7 de junho, o Palácio do Planalto se dedicou a atacar a revista britânica The Economist, que publicou reportagem especial sobre mazelas políticas, econômicas e sociais do Brasil e defendeu que o presidente Jair Bolsonaro fosse retirado do poder pelo voto nas eleições de 2022.

No mesmo dia, o mandatário maior da nação declarou a apoiadores, no Palácio da Alvorada, que dispunha de documento oficial atestando serem exageradas as estatísticas de mortes pelo coronavírus no país: “Em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid, segundo o Tribunal de Contas da União”.

Desmentido imediatamente pelo TCU, Bolsonaro disse na terça (8) que havia errado. Reiterou, porém, que haveria indícios de supernotificação dos casos da doença. O tribunal informou ter afastado o servidor que produzira por conta própria o relatório mencionado.

Na quarta (9), o presidente da República aproveitou sua participação em uma cerimônia evangélica em Anápolis (GO) para lançar dúvidas sobre as vacinas contra a Covid-19, que, segundo ele, ainda estão em uma fase experimental —embora já tenham recebido aval da agência de vigilância sanitária.

Também voltou a defender o tratamento precoce com cloroquina, embora seu ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, houvesse afirmado no dia anterior que a droga não tem eficácia comprovada.

Na quinta (10), em evento no Palácio do Planalto, disse ter conversado com “um tal de Queiroga”, que prepararia um parecer para desobrigar o uso de máscaras protetoras por parte dos cidadãos vacinados.

À noite, o chefe de Estado criticou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e declarou que, se o Congresso assim decidir, o voto impresso voltará “e ponto final”.

Na sexta (11), recuou quanto às máscaras —“Eu não apito nada, né?”, justificou-se. Mas encontrou tempo para adentrar de surpresa em um avião comercial que estava parado no aeroporto de Vitória (ES), sendo chamado de “mito” por alguns passageiros e de “genocida” por outros. A estes, disse que deveriam “estar de jegue viajando”.

Por fim, liderou no sábado (12) um ato com milhares de motociclistas pelas ruas de São Paulo. A maior autoridade do país usou capacete proibido pelas regras de trânsito e recebeu multa de R$ 552,71 por não estar de máscara.

A minimizar o dissabor, Jair Bolsonaro passou neste mês a auferir R$ 41.637,85 —graças a uma portaria que permitiu a remuneração acima do teto de R$ 39.293,32— com a tarefa de governar o Brasil.

editoriais@grupofolha.com.br

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