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Hesitação vacinal

Nos EUA, resistência à imunização torna desigual avanço no controle da epidemia

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Placa anuncia exigência de máscaras para entrar em teatro na Califórnia, nos EUA - Valerie Macon/AFP

A variante delta do vírus da Covid-19 causa preocupação nos Estados Unidos, que, dado o avanço no controle da epidemia, chegaram a dispensar o uso de máscaras para os já vacinados, entre outras medidas de relaxamento.

A média diária de novos casos cresce; hospitalizações e mortes também, mas num ritmo bem menor do que o de novas infecções.

Paradoxalmente, o recrudescimento do contágio também encerra boas notícias. A mais importante é que as vacinas funcionam, mesmo contra a temível delta. Cerca de 97% das novas hospitalizações ocorrem entre não vacinados, e a situação é mais grave nas unidades federativas que apresentam as menores coberturas vacinais.

Na Louisiana, que tem apenas 37% da população imunizada, a taxa de novas infecções é de 79 por 100 mil habitantes (a média dos EUA está em 19 por 100 mil).

Já em Vermont, onde a vacinação alcançou 67% dos residentes, a taxa de infecções recentes é de apenas 4 por 100 mil. E, embora o número de novos casos tenha crescido também nesse estado, as hospitalizações caíram e não se registraram mortes —diferentemente do ocorrido na Louisiana.

A esta altura, o maior problema dos EUA chama-se hesitação vacinal, definida como a recusa ou o adiamento da imunização quando existem produtos disponíveis. Lá, há vacinas para todos os adultos e adolescentes que desejem tomá-las, mas a cobertura com duas doses atinge só 49% da população.

Depois de um avanço expressivo no primeiro semestre, o processo agora está bem mais lento, pois a parcela dos americanos que estava ansiosa pela vacina já a tomou, e progressos dependem cada vez mais de convencer os recalcitrantes. O país, que chegou a aplicar 3,3 milhões de injeções por dia, hoje inocula cerca de 500 mil.

Empresas e estados já oferecem variados tipos de incentivos à imunização, incluindo loterias com prêmio em dinheiro, dias de folga e até cerveja grátis. O próximo passo é passar a exigir certificado de vacinação para o exercício de certas funções e atividades.

O Brasil está bem atrás em cobertura, com apenas 24% dos adultos totalmente imunizados, e ainda não há biofármacos para todos os que desejem tomá-los.

Temos, no entanto, a vantagem de a resistência ser menor. Pelo último Datafolha, 94% ou já tomaram a vacina ou pretendem fazê-lo quando possível. Nos EUA, segundo pesquisa Economist/YouGov, esse número é de apenas 70%.

editoriais@grupofolha.com.br

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