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O reprovado

Pobres, menos escolarizados, nordestinos e mulheres minam aprovação a Bolsonaro

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Manifestação contra Bolsonaro em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress

A avaliação de Jair Bolsonaro chegou ao nível mais baixo de uma série que raramente lhe foi favorável. Segundo o Datafolha, 51% dos entrevistados consideram seu governo ruim ou péssimo, ante 24% dos que o têm como ótimo ou bom. Trata-se da maior diferença entre menções favoráveis e desfavoráveis ao desempenho do presidente.

Seu prestígio está no vermelho em todas as regiões e categorias de renda, instrução, sexo, idade e cor. Desde maio, quando a reprovação era de 45% e aprovação era a mesma de hoje, o desgaste maior ocorreu entre os que ganham até dois salários mínimos, que estudaram até o ensino fundamental, no Nordeste e entre as mulheres.

A avaliação é menos negativa por parte dos residentes das regiões Centro-Oeste e Norte e dos brasileiros de renda média-alta —de 5 a 10 salários mínimos.

A piora na avaliação do governo se espelha na degradação da imagem presidencial. Para 58% dos entrevistados, Bolsonaro é incompetente; para 62%, despreparado. É autoritário para 66%, desonesto para 52% (honesto para 40%).

Parte da impopularidade pode ser atribuída às condições materiais de vida dos mais pobres em uma economia que se recupera da recessão em ritmo muito desigual e prejudicada pela inflação.

O número de pessoas ocupadas é o menor desde que se tem registro comparável, em 2012. O setor de serviços, em que se empregam os menos abonados, ainda está deprimido devido ao impacto da Covid.

A carestia dos alimentos afeta obviamente e em particular os mais pobres. A redução do alcance e do valor do auxílio emergencial deve ter feito estragos adicionais.

Observe-se que a taxa de aprovação de Bolsonaro apenas não foi menor que a de reprovação no trimestre inicial de seu mandato e entre agosto e dezembro do ano passado, quando era grande o efeito do auxílio e a inflação da comida ainda não havia explodido.

Bolsonaro mandou arquivar projetos de renda mínima em agosto do ano passado e retardou por um trimestre um novo programa de renda emergencial neste 2021. Agora promete uma reformulação do Bolsa Família e iniciativas de estímulo ao emprego de jovens.

A recuperação econômica deve permitir algum aumento da população ocupada, em especial se se confirmar o progresso na vacinação. A situação econômica, porém, não determina sozinha a opinião do eleitorado —que terá na memória anos de agrura material, os lutos da epidemia e os escândalos na administração federal.

Ainda faltam, recorde-se, 15 meses até a eleição —e Bolsonaro, em vez de governar, dedica-se a lançar mais ameaças veladas e suspeitas farsescas sobre a lisura do pleito.

editoriais@grupofolha.com.br

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