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Kim Kataguiri e Rubinho Nunes

12 de setembro é 'Fora, Bolsonaro!'

Suprapartidário, ato é esperança para a democracia

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Kim Kataguiri

Deputado federal (DEM-SP) e coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre)

Rubinho Nunes

Advogado, vereador por São Paulo (PSL) e coordenador do MBL

Há quase quatro décadas o Brasil teve algumas de suas maiores e mais significativas manifestações ecumênicas em prol da democracia brasileira: as Diretas Já.

O movimento das Diretas Já foi um momento único na história nacional. Reunindo lideranças de esquerda, centro-esquerda, centro-direita, instituições e partidos dos mais variados, o recado da sociedade foi claro: queremos a volta da democracia e o fim dos anos de chumbo.

Hoje, enfrentamos uma ameaça antidemocrática, felizmente ainda não consolidada. No 7 de Setembro, o presidente Jair Bolsonaro chegou ao ápice da sua escalada golpista. A despeito do nítido derretimento da sua base eleitoral, o presidente conseguiu reunir milhares de manifestantes congregados pela bandeira de iniciar um estado de defesa e romper o delicado concerto da democracia brasileira.

Nossa democracia, sabemos, tem uma base a um só tempo sólida e frágil. As instituições nacionais estão consolidadas, mas também já sofreram diversos reveses ao longo do tempo, com a ditadura do Estado Novo, as tentativas de golpe de Estado e a ditadura militar de 1964.

É contra isso que a manifestação deste domingo (12) se impõe com um novo horizonte de protestos. Liderada por movimentos democráticos suprapartidários, o esforço extraordinário de responder ao golpismo de Bolsonaro já deu alguns frutos notáveis. O primeiro deles foi a consciência, cada vez mais ampla, de que todos os segmentos sociais precisam se unir para defender a democracia. Políticos e lideranças de partidos, a exemplo de MDB, PSDB, Cidadania, PC do B, PSOL e outros, compreenderam a urgência do momento, suspenderam suas divergências ideológicas e resolveram aderir aos atos.

Movimentos como o MBL, Vem Pra Rua e Livre trazem a bandeira da esperança contra o discurso de um protoditador personalista. O liberalismo em que acreditamos é pela defesa da liberdade civil, da democracia, do constitucionalismo e, sobretudo, do equilíbrio entre os três Poderes, que hoje se vê atacado pelo Chefe do Executivo.

Bolsonaro entende a dificuldade da sua situação. Acossado por acusações fundamentadas de crimes, entre os quais crimes comuns e de responsabilidade, ele sabe que o impeachment está cada vez mais próximo. Nesse sentido, foi sintomático o pronunciamento do ministro Luiz Fux, do STF, no qual afirmou haver crime de responsabilidade do presidente e que esse crime deve ser apreciado pelo Congresso Nacional.

O Movimento Brasil Livre tem monitorado todas as estatísticas sobre este dia 12. Temos a certeza de que será um ato maiúsculo a favor da democracia. Já distribuímos mais de 1 milhão de adesivos, meio milhão de panfletos e temos alcançado mais de 3 milhões de pessoas diariamente. Nossos militantes têm trabalhado em faixas, panfletaços, adesivaços, atos públicos, divulgação em jornais e conquista de apoio de políticos, celebridades e formadores de opinião.

Estamos tranquilos e confiantes. As manifestações oficiais ocorrerão em quatro capitais: São Paulo (avenida Paulista, 14h); Rio de Janeiro (posto 5, 10h); Belo Horizonte (praça da Liberdade, 10h); e Brasília (Esplanada dos Ministérios, 14h). Outros municípios do país também farão seus atos de protesto.

A cor oficial das manifestações será o branco, simbolizando a paz e a democracia. Não se trata de um ato eleitoral nem da tentativa de impor preferências partidárias neste momento grave pelo qual passa o país.

Neste dia 12 de setembro, a única palavra, a única bandeira e a única esperança é: “Fora, Bolsonaro!”.

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