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O que a Folha pensa

Depois da Lava Jato

Movimentos de Moro e Dallagnol não contribuem para a credibilidade da operação

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Sergio Moro, ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato - Carl de Souza - 23.nov.18/AFP

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro prepara-se para ingressar no Podemos, em cerimônia marcada para a próxima quarta (10). A filiação promete selar uma nova etapa na vida pública do ex-juiz, que se notabilizou por comandar a Lava Jato de 2014 a 2018, período no qual desfrutou de ampla projeção midiática e popularidade como prócer do combate à corrupção.

Responsável pela condenação de figurões da política e do meio empresarial, entre os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Moro começou a ver sua imagem corroída quando se desligou do Judiciário para fazer parte do ministério de Jair Bolsonaro.

A decisão tornou patentes as ambições políticas que seus críticos já apontavam durante a atuação da força-tarefa. O passo rumo à Esplanada escancarou os anseios de galgar posições de poder, fosse com eventual candidatura à Presidência ou como nome a ser indicado ao Supremo Tribunal Federal.

A passagem pelo governo não tardou a se revelar desastrosa. As pretensões políticas do então ministro, aliadas às imputações contra parentes e amigos de Bolsonaro, por suspeita de participação em esquemas ilegais, levaram o presidente a colidir com seu colaborador —que deixou Brasília em meio a conflitos e troca de acusações.

A situação agravou-se quando reportagens do site The Intercept Brasil e de outros veículos, entre os quais esta Folha, trouxeram à luz conversas entre membros da operação incompatíveis com a imparcialidade exigida de um juiz.

Pouco tempo depois, o Supremo Tribunal Federal o considerou suspeito para julgar Lula, e as sentenças resultantes dos inquéritos da Lava Jato foram anuladas.

Tais percalços não parecem ter abalado o desejo de Moro de fazer carreira política. A filiação ao Podemos o deixará na antessala de uma postulação presidencial em 2022, embora especule-se que seu destino possa ser o Senado Federal.

Adicionalmente, outra estrela da Lava Jato, Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa, acaba de pedir desligamento do Ministério Público, numa sinalização de que participará das eleições.

Esses movimentos decerto não contribuem para a credibilidade da operação —que, apesar de erros e excessos, teve méritos inegáveis. Reforça-se a importância de estabelecer desincentivos à politização de instituições do Estado, aí incluídos Judiciário, Ministério Público, Forças Armadas e polícias.

editoriais@grupofolha.com.br

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