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Trancos e barrancos

STF e Anvisa tomam decisões certas, e Bolsonaro ainda sabota política sanitária

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Desembarque no aeroporto de Guarulhos, no início da validade da exigência do passaporte da vacina - Zanone Fraissat/Folhapress

Até um indicado pelo governo Jair Bolsonaro (PL) ao Supremo Tribunal Federal consegue tumultuar a gestão da pandemia. Nesta quinta (16), o ministro Kassio Nunes Marques manobrou para interromper um julgamento em que já havia ampla maioria a favor da exigência do passaporte da vacina contra a Covid-19 para a entrada no país.

Ao que parece, a norma, já imposta antes por liminar, permanecerá em vigor. Entretanto restam dúvidas em torno da execução da medida que não podem ser respondidas por magistrados.

O governo prossegue na sabotagem dos esforços para o controle do vírus, enquanto instituições, unidades da Federação e órgãos de Estado fazem sua parte —como a Anvisa, que autorizou a aplicação do imunizante da Pfizer em crianças a partir dos 5 anos de idade.

Por mais que a queda dos números de novos casos, internações e mortes mereça comemoração, precauções ainda são necessárias. Transcorridos dois anos da Covid-19, a versatilidade do coronavírus não cessa de surpreender. Neste momento é a variante ômicron que põe o mundo em prontidão.

No alto das preocupações está a celeridade com que a cepa se dissemina, sem precedentes. A Organização Mundial da Saúde tem registro de sua presença em 77 países, inclusive no Brasil, apenas um mês depois dos primeiros casos detectados em Botsuana e África do Sul.

Essa rápida transmissão se dá mesmo em países com boa parte da população imunizada com duas doses. Há indícios, porém, de que uma terceira dose de reforço conseguiria combater a variante.

Quanta à gravidade da síndrome respiratória desencadeada pelo vírus modificado, permanece alguma incerteza. Uma primeira e isolada morte se confirmou no Reino Unido, mas é prematuro concluir que a variante seja de fato mais benigna, como parece ser o caso.

O ensinamento a extrair se mostra o mesmo de quando surgiram as outras variantes: na dúvida, prevalece o princípio da precaução.

Por aqui não temos vigilância genômica decente. Não mais de dois terços da população tomaram duas doses. O ministro da Saúde foi picado pela mosca azul eleitoral. Sua pasta está refém de hackers, e até estatísticas fundamentais perdem em agilidade e confiança.

O presidente continuará a combater vacinas e máscaras —em busca de agradar à parcela minoritária do eleitorado que pode levá-lo ao segundo turno da eleição.

editoriais@grupofolha.com.br

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