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Datafolha explicita subnotificação de infecções por Covid e incompetência do governo em monitorá-las

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Suspeito de estar infectado por Covid realiza teste em Manaus (AM) - Sandro Pereira/Folhapress

Desconexão com a realidade e incompetência são duas das características marcantes do governo Jair Bolsonaro (PL) no enfrentamento da Covid-19, a "gripezinha" postulada pelo presidente que matou centenas de milhares e impôs lutos evitáveis às famílias brasileiras.

Uma série de pesquisas Datafolha explicita agora a dimensão do descalabro patrocinado por seu governo. Os dados revelam que 25% dos brasileiros com mais de 16 anos disseram ter testado positivo para o coronavírus, em um total de 42 milhões de contaminados.

Isso equivale a quase o dobro dos lançamentos apontados no painel oficial do Ministério da Saúde
—que, de forma inadmissível, permanece desatualizado desde 9 de dezembro de 2021.

Outros registros públicos, coletados pelo consórcio de imprensa, somam 23 milhões de casos, reunindo informações de todas as idades. Como os dados do Datafolha são dos infectados maiores de 16 anos, a subnotificação nas estatísticas revela-se gigantesca.

Em quase dois anos de pandemia, o governo federal foi incapaz de formular uma regra única para o envio e a contabilização de casos registrados nos estados e municípios, amplificando as falhas no registro das estatísticas. Por incompetência ou má-fé, o Brasil talvez nunca saiba quantos de fato adoeceram e morreram na pandemia.

Desde o início, menosprezando o risco que a Covid-19 representava, o governo Bolsonaro também ignorou recomendação de especialistas e da Organização Mundial da Saúde de promover a testagem em massa para acompanhar a evolução da doença e embasar decisões cruciais, como a compra de insumos médicos —a exemplo do oxigênio que faltou em Manaus— e a abertura de leitos de UTI para a internação de doentes graves.

Na contramão da ciência, torrou dinheiro público na fabricação da ineficaz cloroquina e incentivou aglomerações que só ajudaram a espalhar um vírus que não teve a capacidade de monitorar.

Não satisfeito, Bolsonaro agiu enfaticamente contra a vacinação infantil, contrariando novamente a ciência e o anseio da população por proteção —pois, segundo o Datafolha, nada menos do que 79% dos brasileiros apoiam a imunização de crianças de 5 a 11 anos.

Finalmente vencido pela realidade, seu governo acabou contratando —sem licitação e por R$ 62,2 milhões— uma empresa inexperiente para a distribuição dos imunizantes infantis, que chegaram a ser transportados em caixas de papelão recheadas com gelo.

Com 69% dos brasileiros imunizados, o pior da pandemia pode até ter ficado para trás. Mas, infelizmente, ainda resta quase um ano do pior governo que o Brasil já teve.

editoriais@grupofolha.com.br

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