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Victoria Damasceno

A pílula anticoncepcional é segura e uma bênção

Medicamento é usado para diminuir os sintomas de doenças como a endometriose

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Victoria Damasceno

Editora de Equilíbrio, é jornalista formada pela USP e foi pesquisadora na Universidade Howard (EUA)

São Paulo

Em 2020, descobri que tinha endometriose. Na época, a doença já havia tomado parte do intestino, útero, ovários e reto. Recebi da médica a notícia que não queria ouvir: o próximo passo é a mesa de cirurgia. Mas como fazer um procedimento médico como esse no meio de uma pandemia de coronavírus, quando a maioria das cirurgias eletivas estavam suspensas?

Tinha duas opções: colocar um DIU hormonal ou tomar pílula anticoncepcional. A primeira era até mais indicada, mas envolvia ir a um hospital, o que eu não estava disposta a fazer no meio de uma pandemia. Optei pela pílula. Desde então, ela me garante um dia a dia com menos dores, contracepção e uma qualidade de vida que eu não via havia anos.

Cartelas de pílulas anticoncepcionais em fábrica em São Paulo - 08.mar.2010 - Eduardo Knapp/Folhapress

A decisão de tomar o medicamento veio cheia de julgamentos. Mas a verdade é que, apesar dos riscos, a pílula anticoncepcional é segura e, sim, uma bênção. Uma pesquisa publicada pelo The New England Journal of Medicine indica que, a cada 100 mil pessoas que usam o medicamento todos os anos, 0,02% terão um derrame, e 0,01%, um infarto. O risco só sobe se tiver predisposição.

É preciso lembrar que a pílula tem mais de 99% de eficácia e, para mulheres que dependem do SUS –negras são as principais usuárias dos serviços de Atenção Primária à Saúde–, é uma conquista ainda maior, uma vez que a conseguem com facilidade em postos de saúde, e outros métodos muitas vezes exigem processos burocráticos. Os valores também podem ser impeditivos se optam por comprar.

Além disso, entre essas mulheres, aquelas que têm doenças crônicas como a síndrome do ovário policístico ou mesmo a endometriose ganham em qualidade de vida. A pílula é uma opção que garante a contracepção e pode diminuir suas dores enquanto aguardam na fila por uma cirurgia, por exemplo. É uma saída mais fácil para quem não pode fazer um tratamento multidisciplinar.

Condenar a pílula é, antes de tudo, condenar uma conquista das mulheres. Ganho esse que garante contracepção, bem-estar e, o mais importante, independência.

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