Descrição de chapéu
O que a Folha pensa Ásia

Efeito Índia

Calor extremo prejudica saúde e colheita do trigo no 2º maior produtor mundial

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Calor em Nova Déli, na Índia - Sajjad Hussain/AFP

A Índia teve o março mais quente desde os primeiros registros, há 122 anos. No Paquistão, o pior em 61 anos. Mais de 1 bilhão de pessoas sofrem com a onda de calor que chegou mais cedo e com mais impacto em 2022, local e globalmente.

Na média as temperaturas estão mais de 1ºC acima do normal, mas em vários lugares do subcontinente os termômetros foram além de 43ºC e alcançam picos de 47ºC. Os verões escaldantes costumam ocorrer em maio e junho, não em março e abril, como agora.

A anomalia preocupa porque só 7% da população indiana dispõe de condicionadores de ar, recurso comum contra a canícula, e mesmo assim o aumento da demanda por eletricidade tem ocasionado blecautes. Sofrem idosos e crianças; houve mais de 12 mil mortes em 660 ondas de calor de 1978 a 2014.

Não se sabe ainda o efeito do verão precoce sobre as monções, que chegam a partir de junho. A expectativa é de chuva em níveis usuais ou pouco acima, embora não se descartem perturbações mais graves da norma pela interação entre a condição La Niña (águas frias no Pacífico Oriental) e o aquecimento incomum do Ártico.

Tampouco se pode já atribuir o calor recordista inequivocamente à mudança do clima. Especialistas apontam o aquecimento global como causa provável, uma vez que a predição desses fenômenos extremos conta com confiança muito alta nos modelos climatológicos.

Além do impacto sobre a saúde no segundo país mais populoso do planeta, suscita alarme também a quebra da safra de trigo. A Índia é o segundo maior produtor do grão, nos dois casos depois da China.

O governo em Nova Déli estima redução de 6% na colheita, e há quem preveja 10%. O efeito negativo terá repercussão global, pois a Índia vinha aumentando exportações drasticamente com a demanda forçada pela guerra na Ucrânia, até então sexto maior exportador.

Após cinco anos em crescimento acelerado, o trigo indiano acabou prejudicado pelo calor inusual na fase de enchimento dos grãos. No ano fiscal encerrado em março, a Índia havia exportado um recorde de 7,85 milhões de toneladas, 275% acima do ano anterior, e a previsão era embarcar 12 milhões.

A perda de produção, além de contribuir para a alta da commodity no mercado global, eleva os preços para o consumidor de um país extremamente pobre.

Calor extremo e pão caro, flagelo duplo para legiões de indianos.

editoriais@grupofolha.com.br

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Leia tudo sobre o tema e siga:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.