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O que a Folha pensa

Mais um massacre

Se racismo em atentado nos EUA é possível, acesso a armas é fator incontestável

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Local do ataque a tiros em Buffalo, nos EUA - Jeffrey T. Barnes/Reuters

No sábado (14), um jovem de 18 anos dirigiu seu carro por cerca de 300 km até um supermercado localizado em Buffalo, no estado americano de Nova York. Com um rifle semiautomático nas mãos, abriu fogo contra pessoas que estavam dentro e fora do estabelecimento, matando dez e ferindo três.

Embora as motivações do massacre ainda estejam sob investigação, suspeita-se que Payton Gendron tenha sido estimulado, em seu ato insano e abominável, por teorias racistas conspiratórias que têm deixado as franjas do extremismo para ganhar cada vez mais adeptos nos Estados Unidos.

Uma pesquisa recente da Associated Press revelou que quase um terço da população norte-americana acredita em algum grau que exista um esforço com fins eleitorais para substituir americanos nativos por imigrantes —a tresloucada tese da "grande substituição".

Absurdos como esse, mas com negros cumprindo o papel de imigrantes, abundam num longo texto que o atirador publicou na internet pouco antes do massacre —perpetrado, sublinhe-se, num bairro predominantemente negro e no qual 11 das 13 vítimas eram negras.

Se o ominoso extremismo de direita aparece como provável motivação do atentado em Buffalo, é o acesso praticamente irrestrito a armas, inclusive às de uso militar, que torna morticínios do tipo tão comuns nos EUA. O tiroteio de sábado foi o 198º, somente neste ano, no qual ao menos quatro pessoas foram mortas ou feridas, segundo a ONG Gun Violence Archive.

O fato de Gendron ter sido submetido a uma avaliação mental há pouco menos de um ano, em razão de uma ameaça de ataque suicida feita quando era estudante, e ainda assim conseguir comprar legalmente um rifle de altíssima letalidade exemplifica bem a permissividade da legislação do país.

Calcula-se que existam em solo americano cerca de 120 armas para cada 100 habitantes, fazendo dos EUA, de longe, o líder mundial em número per capita.

Apesar do firme compromisso do presidente Joe Biden com a reforma das leis sobre o tema, as principais iniciativas para tornar mais restrito o acesso acabam barradas num Congresso em que o lobby armamentista tem grande peso.

No Brasil, lamentavelmente, se dá o oposto, com Jair Bolsonaro (PL) utilizando todos os meios de que dispõe para enfraquecer o Estatuto do Desarmamento e expandir a circulação dos artefatos.

editoriais@grupofolha.com.br

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