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Marcos Sampaio Olsen

No Dia da Marinha, uma lição de Riachuelo

Dispor de uma força naval crível não é algo frívolo

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Marcos Sampaio Olsen

Almirante de esquadra, é comandante da Marinha do Brasil

"Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte." Tal verso do Hino Nacional nos instiga a reavivar feitos de um passado marcado pela atuação dos "heróis-marinheiros" que combateram em Riachuelo, naquele 11 de junho de 1865.

À época, pouco se acreditava na possibilidade de o Brasil entrar em conflito. Tal fato corrobora, diretamente, a inadequação e as severas restrições impostas às condições de eficiência da esquadra brasileira.

Obra do pintor Victor Meirelles retrata a batalha naval do Riachuelo, travada em 11 de junho de 1865 às margens do arroio Riachuelo, um afluente do rio Paraná, na província de Corrientes, na Argentina; vitória brasileira assegurou a liberdade de navegação na bacia do Paraguai - Victor Meirelles

Determinante refletir sobre a disposição do Estado em pagar preço alto por descurar da defesa. A guerra, quando assola uma nação, não oferece benesses à preparação tardia de sua Marinha.

"A nulificação da Marinha é, portanto, projeto e começo do suicídio." Ruy Barbosa sublima a necessidade de se olhar para a importância do uso do mar e para a prontidão operacional da Marinha. Dispor de uma força naval crível, desde os tempos de paz, não é algo frívolo. É, unicamente, não submeter os desígnios do seu povo a interesses estranhos.

A conjuntura indica o acirramento de tensão entre Estados e a presença de ameaças diversas à soberania, em especial no ambiente marítimo, requerendo ao Estado que não se deixe seduzir pela ilusória perpetuidade da paz.

Aqueles que negligenciam investimentos em defesa, não se olvidem, serão rijos na cobrança do êxito ou na crítica ao fracasso caso o país venha facejar conflito.

As atribuições constitucionais da Marinha do Brasil implicam preparo e emprego do poder naval na acepção de sua atividade-fim —a atuação sob a égide de organismos internacionais ou em apoio às ações do Estado— e alcançam atribuições subsidiárias adjudicadas à autoridade marítima.

A Política e a Estratégica Nacional de Defesa pavimentam o caminho para a defesa que o Brasil almeja. Além disso, aprazam o Atlântico Sul, fulcro do entorno estratégico brasileiro. Trata-se de extensa porção marítima, reserva econômica estratégica para gerações de brasileiros. Ao tempo que se presta à porta de entrada à pirataria; ao terrorismo; aos crimes transnacionais; às ações cibernéticas hostis; à exploração ilegal de recursos naturais; perfaz, portanto, ambiente operacional complexo e instável.

Sob essa perspectiva, a Força correlaciona os desafios impostos ao Estado com as capacidades requeridas para cumprir, eficazmente, a política naval. Identificadas suas necessidades, constituem os alicerces à consecução proficiente dos programas estratégicos, que acarretarão arrasto tecnológico, geração de divisas e empregos de qualidade, contribuindo para assentar futuro digno ao Brasil.

Manter, portanto, uma Marinha compatível com a estatura político-estratégica do Brasil e apta para atender aos legítimos anseios do seu povo, é condição primeira ao Estado; e forma justa de honrar a memória daqueles "heróis-marinheiros" que, inspirados pelos sinais "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever!" e "Sustentar o fogo que a vitória é nossa!", ofereceram suas vidas pelo Brasil como nação livre e soberana.

Tudo pela pátria e pela Marinha!

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