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Abraçar, cortar o cabelo e adotar pets; leitores relatam o que pretendem fazer logo após a quarentena

Brasileiros estão em isolamento social há semanas com o avanço do novo coronavírus

São Paulo

O isolamento social desperta a percepção e valorização de gestos e práticas antes muitas vezes banalizados pela correria do dia a dia. Reencontrar e abraçar familiares e amigos queridos, cortar o cabelo e tomar banho de mar são desejos manifestados por leitores da Folha para assim que terminar a quarentena imposta pelo novo coronavírus.

Desde meados de março, muitos brasileiros estão em isolamento social para tentar conter o avanço da Covid-19. Já são cerca de 50 dias. Viagens tiveram de ser canceladas, casamentos adiados e muitos outros sonhos modificados –sem contar a rotina de passar dias e dias dentro de poucos metros quadrados.

Leitores relatam que, durante esse período, aprenderam a valorizar as coisas simples, entre elas o toque, o colo e a comida de pessoas queridas.

Uma leitora afirma que pretende adotar um gato. Outra diz que pretende rever o seu amor, que reencontrou duas décadas após a faculdade, mas, por causa do coronavírus, os dois tiveram de esperar mais alguns meses.

Leitores da Folha contam a primeira coisa que pretendem fazer após a quarentena. Leia abaixo.

Cortar o cabelo, com certeza! Por causa do isolamento já faz mais de dois meses que não corto o cabelo ou faço a barba. Tenho baixa visão, então é bem difícil de fazer essas coisas sozinho.

Depois, quando eu estiver bem bonito, vou ao Rio visitar a minha mãe. Mesmo morando em outro estado é a primeira vez, em 31 anos, que fico tanto tempo sem vê-la. (Diego Queiroz, de São Paulo, SP)

Após a quarentena vou viajar mais, planejar um tour bem especial pela América do Sul. Também irei a rolezinhos por aqui, respirar o ar de Minas Gerais e comer pão de queijo. Que os bruxos e duendes de São Thomé das Letras me aguardem!

Vou também buscar um gatinho numa ONG protetora de animais em uma cidade vizinha por aqui. Passar esses dias difíceis sem bicho foi trash.

Irei tomar café com minha avó e levar umas roupinhas novas para meu sobrinho. (Thais Ozorio de Carvalho, de Guaratinguetá, SP)

Quando o isolamento social acabar, eu quero muito me enfiar em uma prainha mais ou menos deserta, como Icaraizinho de Amontada (CE) ou Atins (MA), para ficar longe dessa loucura que estamos vivendo.

Não entendo como o povo brasileiro chegou ao patamar de tamanha ignorância e negação da realidade, por isso, quero me afastar o máximo possível e viver de forma mais tranquila, longe dos redutos do bolsonarismo. (Évelim Wroblewski, de Curitiba, PR)

A primeira coisa que farei quando tudo isso acabar será pegar o avião para Brasília e ver o meu amor que reencontrei 21 anos depois da faculdade. Tive de esperar mais alguns meses pelo bem de todos! (Fabiana Araújo de Souza, de Salvador, BA)

São duas coisas: abraçar meus pais e tomar uma cerveja na praia (Otto Cabral Mendes Filho, de Jaboatão dos Guararapes, PE)

Pretendo molhar meus pés na água do mar --o qual eu ouço, respeitosamente, todos os dias. A minha casa fica a três quarteirões da praia. (Jorge de Lima, de Itanhaém, SP)

Quero bater uma bola na várzea, rever a rapaziada, matar uma bola no peito, fazer uma tabela e, quem sabe, marcar um gol! (Márcio Fortino, de São Paulo, SP)

Eu aprendi que somos tão pequeninos e “metidos a besta”, que damos atenção a coisas supérfluas. Aprendi que perdemos tanto tempo com coisas inúteis e as mais importantes são tão simples que na maioria das vezes não percebemos.

O maior desejo do mundo que tive nesses dias foi dar um abraço e deitar nos colos da minha mãe e do meu pai sem ter medo de colocar a saúde deles em risco. A viagem mais glamourosa que eu queria fazer hoje era ir para a casa deles e estar perto da minha família em segurança. (Maria Jaciara Macêdo, de Salvador, BA)

Sou advogada e estou há um mês e três semanas em isolamento. Quero acreditar que na pós-pandemia sairemos mais fortes e, principalmente, mais humanos e mais humildes. Ficou claro que não há como sobrevivermos sozinhos. Nossas ações implicam na coletividade.

O que estou sentindo mais falta neste momento, e a primeira coisa que pretendo fazer quando tudo isso acabar, é encontrar minhas amigas e trabalhar na faculdade onde advogo. Abraçar as pessoas que amo. Minha vó. E também ir à missa. Tenho fé e esperança que tudo isso vai passar! (Érica Steffen Ramos, de Salto, SP)

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