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Hábitos de higiene e melhor interação com tecnologia serão mantidos por leitores após pandemia; veja relatos

Na quarentena, percepção de coisas simples e momentos de lazer e relaxamento também entraram na rotina diária

São Paulo

A pandemia e o isolamento social imposto pelo coronavírus transformaram a rotina de milhões de pessoas. Neste período muita gente descobriu que os novos hábitos trazem benefícios no dia a dia e ajudam com uma melhor qualidade de vida. Por isso, pretendem manter as práticas mesmo depois da quarentena.

Leitores da Folha relatam que aprenderam a lidar com a tecnologia para o desenvolvimento pessoal. "Percebi que meu celular, notebook e redes sociais podem ser usados diariamente para ver conteúdos do colégio, tirar dúvidas, e não somente para conversar e ver fotos", diz a estudante Ana Paula Zara Couto, 17.

Alguns contam que começaram a valorizar as coisas simples, entre elas o canto dos passarinhos e o barulho das árvores. Outros passaram a se cobrar menos nas tarefas diárias, reservando momentos para um cochilo ou uma volta de bicicleta. "São atos de rebeldia contra o tempo", diz o professor Rafael Petermann, 31.

Muitos relatam que adotaram novas práticas de higiene que pretendem levar para a vida toda. Tirar os sapatos antes de entrar em casa, por exemplo, virou regra em muitos lares. Um leitor diz que vai manter o uso da máscara mesmo após a pandemia, pois se sente mais seguro. Outra leitora diz que não sai mais de casa sem um frasco de álcool em gel.

Para uma leitora, a pandemia permitiu a descoberta, conta, de comportamentos ou amizades sombrios, que ela pretende manter distantes também após a quarentena.

Veja a seguir relatos sobre novos hábitos que leitores pretendem manter mesmo depois da pandemia.

Há dois meses minha rotina mudou drasticamente por causa da pandemia. Com isso, mudei muitos hábitos antigos. Em primeiro lugar, aprendi a usar a tecnologia em favor dos estudos. Percebi que meu celular, notebook e redes sociais podem ser usados diariamente para ver conteúdos do colégio, tirar dúvidas e não para somente conversar e ver fotos.

Por isso, esse é um hábito que pretendo manter quando a pandemia passar, uma vez que o benefício é aproveitar melhor o meu tempo, continuar o estudo fora da sala de aula, ver curiosidades e até o conteúdo na prática nos canais de física, os quais deixam a matéria mais palpável.

Em segundo lugar, outro hábito que mudei e vou mantê-lo de hoje em diante é lavar as compras quando chegam do mercado. As frutas e vegetais possuem inúmeros micro-organismos que são acumulados ao longo do processamento.

Quando consumidos, podem resultar em diversos males ao corpo. Nunca tinha percebido quantas doenças podem ser evitadas fazendo a simples higiene dos alimentos. Além de deixar a geladeira livre de contaminação, deixa a saúde das pessoas aqui em casa mais prevenida. O bom é que isso não leva muito tempo, é algo prático e saudável do dia a dia.

Por fim, a última mudança que manterei em prática é tirar os calçados antes de entrar em casa. Muitas culturas já praticam isso e agora percebi o motivo. Nessa experiência, constatei que esse hábito ajuda a garantir a limpeza de casa, sem ter areias e pedacinhos de folhas da rua, deixando, portanto, a faxina mais rápida e mais prática.

Além do mais, evita a contaminação do meu lar por bactérias, vírus e parasitas, o que contribui para a não proliferação da Covid-19, por exemplo. Sei que muitas outras coisas devem ser feitas para não disseminar a doença. No entanto, segundo Aristóteles, um bom começo já é a metade. E, assim, criarei mais hábitos benéficos em minha rotina após a pandemia. (Ana Paula Zara Couto, de Maringá, PR)

Nesta pandemia, assim como nas últimas eleições presidenciais, muitas pessoas revelaram lados sombrios, demonstraram a real face de um caráter duvidoso. E eu pretendo manter o distanciamento social dessas pessoas.

Para além disso, acredito que o uso de máscara e a higienização de absolutamente tudo que entra em casa devem me acompanhar para a eternidade. O hábito de lavar as mãos foi intensificado desde 2009 com a H1N1.

Por fim, a esperança fica para que essa pandemia permita aos brasileiros aprender a pensar coletivamente. (Rafaela Martins, de Goiânia, GO)

A quarentena veio para nos lembrar da nossa incapacidade de controlar tudo e todos. Nos mostrou o quanto somos frágeis e destrutivos. Já durante o isolamento, incorporei na minha rotina a observação da vida: o frio gelado, os banhos de sol diários, a vídeo conferência para conhecer o primo que acabou de nascer, os banhos quentinhos, o cheiro dos livros que estavam guardados há tempos, o barulho das árvores e o canto dos pássaros.

Nessa nova rotina, vou incorporar momentos para simplesmente apreciar a vida, sem controle, sem cobranças. A vida é muito curta e é tão linda... Além disso, claro, nunca esquecer de dizer um "fora Bolsonaro" todos os dias, às 20 horas, da minha janela. (Marina Martelli, de Ribeirão Preto, SP)

Após a pandemia pretendo manter o uso da máscara, me sinto seguro com ela. (Sidney Mansur, de São Paulo, SP)

Quero manter o hábito de reservar um tempo do dia exclusivo para relaxar e me dar a possibilidade de um momento de leveza e liberdade.

A minha rotina de doutorando e professor geralmente é preenchida por atividades com as quais tenho a impressão de estar sempre em atraso. Quando escrevo, tenho a sensação de que já deveria ter escrito. Ao ler, penso que já deveria ter lido. Se paro para ver o ritmo do mercado financeiro, uma notícia, uma espiada na rede social ou mesmo sair para pegar um café na cozinha, tenho a impressão de que procrastino ainda mais o que já foi procrastinado mesmo que meus prazos não estejam apertados.

Desde que iniciei o período de isolamento social com todas as minhas atividades realizadas em casa, passei a tirar dois momentos do dia para ser rebelde com o tempo: após o almoço e no fim da tarde.

Depois de almoçar, deito e me dou a liberdade de ingressar em uma fenda espaço-temporal, um momento em que o tempo e o lugar não importam, apenas vejo minhas redes sociais, assisto a vídeos no Youtube e, às vezes, tiro um cochilo -que salva o resto do dia. Ao fim da tarde, saio para pedalar pela pequena cidade onde moro ouvindo meus clássicos do Oasis e da Legião Urbana. É um dos meus raros momentos de saída.

Percebo que esses têm sido os dois momentos mais aguardados do meu dia há algum tempo, por isso quero preservá-los. São atos de rebeldia contra o tempo e contra mim mesmo. (Rafael Petermann, de São Carlos do Ivaí, PR)

O contexto atual que vivenciamos nos trouxe uma urgente necessidade de readaptação; sem aviso prévio, sem planejamento. Contudo, hoje, vejo que frente à pandemia, levarei comigo algumas mudanças e hábitos que notei serem benéficos e/ou práticos adiante.

Nesse viés, confesso que sofri muito no começo de tudo. Foi um baque e tanto! Senti angústia e apreensão em diversos momentos e, com isso, minha psicóloga me recomendou a prática de meditação, uma ação que já tinha conhecimento sobre, mas nunca havia tentado.

Desde então, percebi o quanto isso me fez bem, aliviou minha ansiedade e permitiu que eu conseguisse seguir em frente e começar a me adaptar aos poucos. Agradeço à tecnologia, assisti a vários vídeos na internet que me nortearam a como meditar e baixei um aplicativo ótimo para o meu celular.

Ainda mais, com tanto tempo de sobra dentro de casa, retornei com o hábito de leitura que deixei de lado por um tempo. Lembrei-me do quanto gosto de ler e do quanto faz bem para distrair e manter a cabeça sã em meio a tudo isso.

Já li alguns livros que trazem consigo uma temática mais espiritual e de autoconhecimento, como a incrível obra do brasileiro Paulo Coelho, “O Alquimista”. Junto a isso, também terminei clássicos distópicos e importantes na literatura, como “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley e “1984” de George Orwell. Sem dúvidas, leituras essenciais que me agradaram muito e recomendo a todos.

Por fim, implementarei o hábito de levar comigo um frasco contendo álcool em gel. Nunca se sabe por onde andaremos e é uma ação de higiene básica; às vezes não encontraremos água e sabão ao nosso alcance, então, nada melhor do que nos prevenir.

A partir disso, deixo a conclusão de que resiliência é necessária netse momento delicado e que tudo ficará bem! Como eu, guardem consigo essa frase que “cai como luva” em tal situação, do escritor Augusto Cury “se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto. Procure as janelas”. (Julia Boni Viscovini, de Maringá, PR)

Houve grandes mudanças de hábitos durante essa quarentena que com certeza vou continuar mesmo quando, felizmente, isso acabar. Porém o que eu mudei foi muito além da rotina: acordar, estudar, me exercitar, tocar violão e dormir. Meu maior benefício foi a minha visão do mundo.

Etse momento me mostrou que em meio a tantas mortes, há pessoas além dos nossos cientistas e médicos, que têm salvado vidas. Como aqueles que doam sangue ou simplesmente tem a atitude de ir de máscara ao sair de casa. Ademais, vi que mesmo com tanta dor, existem pessoas que doam seu tempo, alimento e um pouco de si ao outro. Bem como no desespero vivenciei uma união virtual de fé e amor.

Acredito que tudo isso me agregou no conceito de humanidade. Pois sei que como jovem, sou o futuro de uma geração que tem evoluído, e aqui se encontra a maior prova disso. Pois quero continuar mesmo após a quarentena presenciando e participando desse amor ao próximo.

Afinal como diria Mahatma Gandhi: “Não acredito que o indivíduo possa progredir espiritualmente, enquanto aqueles que o cercam estão sofrendo”. (Ana Carolina Arenso Barbosa, de Maringá, PR)

Hábitos benéficos são hábitos saudáveis, portanto, ao final da pandemia, pretendo priorizar tudo que se relaciona à minha saúde física e financeira. Aliás, os meus hábitos de consumo serão reduzidos e limitados, como já foram, às minhas necessidades básicas e ligadas às prioridades da minha vida.

Desejo investir somente em empresas e projetos que apoiam o desenvolvimento social e o ganho coletivo. Viver a cultura e a arte, caminho de expressão do espírito inteligente, também farão parte da minha trajetória pessoal. Neste momento de pandemia, com o inverno se aproximando, só mesmo a arte e sua potência para aquecer os corações. (Isabella Ferreira, de Garopaba, SC)

Trabalho numa instituição social privada e estou em home office desde 17 de março, com marido (professor universitário, também em home office) e filho adolescente (15 anos). Além disso, faço uma segunda graduação que já era a distância, numa universidade pública.

Como somos muito caseiros, nossa casa já era equipada para trabalho remoto. Gostamos de curtir a casa, cozinhar, ler, então não foi difícil nos adaptarmos.

Apesar de viver na cidade, a 300 metros de um shopping center, raramente frequentávamos, pois não gostamos de aglomerações, preferimos locais abertos e com poucas pessoas.

Enquanto muitos pensam em sair do pais, nós temos vontade de nos interiorizar, ir para o campo, mas nossas atividades profissionais requerem, pelo menos, a conectividade via internet, que não é muito boa.

Penso que o novo normal, em termos de rotina, não será muito diferente para nós, mas me preocupa muito como será para aqueles que se tornaram dependentes de produtos e serviços que exigia aglomeração e contato pessoal próximo com frequência.

Acredito que as pessoas devam estar se dando conta de quanta futilidade adquiriam e quanto tempo de vida perdido fora de casa, inclusive com o trabalho, deslocamento e etc. Pouco tempo para si, para a família, para os amigos e estudos.

Será preciso repensar os arranjos nos grandes centros e ampliar os serviços sociais à população que mais precisa, e que crescerá consideravelmente com o desemprego. ( Marta Cristina Gomes do Nascimento, do Rio de Janeiro, RJ)

Eu gosto de praticar exercícios ao ar livre. Mais que gostar, eu preciso, por recomendação médica. Para os sobreviventes idosos as cidades deverão reservar áreas e parques para atividade física com acesso restrito e determinados horários destinados a população da terceira idade. (Cláudio José Marques de Assis, de Juiz de Fora, MG)

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