Descrição de chapéu Rússia

Leitores comentam declarações sexistas de Arthur do Val

Interação da Folha com leitores sobre guerras também é tema de comentários

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Arthur do Val
Até então, o playboy burguês, cristão e homem de bem usava eventos esportivos e viagens de turismo para expor mulheres do mundo ao ridículo com piadas de conotação sexual ("MBL analisa áudios atribuídos a Arthur do Val que dizem que ucranianas são fáceis porque são pobres", Mônica Bergamo, 5/3). Agora mulheres vulneráveis em situação de guerra são os alvos. Imperdoável!
Cassiana Amorim (Brasília, DF)

Vai dizer que foi mal interpretado ou que tiraram de contexto. Mulheres fugindo da guerra, e o cara pensando em sexo.
Esleide Gomes (São Paulo, SP)

Querer curtição com refugiadas de guerra é abominável!
Valderi Silveira Pinto Júnior (Suzano, SP)


Cancelamento de russos
Está certíssimo o autor ("Cancelar russos devido à guerra na Ucrânia também é uma barbárie", João Pereira Coutinho, Ilustrada, 5/3). Lembra o que aconteceu aqui durante a Segunda Guerra quando apedrejaram lojas e negócios de alemães (a maioria era contra o nazismo). É absurdo o cancelamento de russos só por serem russos. Parece que a insanidade e o arbítrio de Putin estão contaminando o outro lado.
Heloisa Gomes (Rio de Janeiro, RJ)

Uma questão me aflige: a grande pianista ucraniana Valentina Lisitsa é conhecida como "The Queen of Rachmaninoff". Ela é especialista na obra do grande compositor russo. Que acontecerá com ela? Será cancelada? Abandonará o título nobiliárquico? Oh céus.
Janaina de Moraes Santos (São Paulo, SP)


ASSUNTO - Quais lembranças você, leitor(A) da Folha, tem de guerras anteriores?

Nasci em 1968 e não passei incólume aos temores gerados pela Guerra Fria. No anos 1970, pensava na guerra o tempo todo. Haveria a Terceira Guerra Mundial? Isso era reforçado pela certeza de que o mundo acabaria no ano 2000. Até preceito bíblico era apregoado: "Mil passarás, dois mil não chegarás". A Guerra Fria impunha-me um futuro —e isso me acompanhou na infância.
Luiz Divino Maia (Belo Horizonte, MG)

Eu tinha 9 anos quando vi a foto da menina vietnamita correndo nua, queimada, com soldados atrás, e eu fiquei em choque, senti muita pena dela. Aos 9 anos achava que nunca ninguém deveria deixar criança assim nua e desamparada. Essa foto ficou na minha cabeça e daquele momento em diante tive consciência que sempre haveria alguém sofrendo no mundo por causa de outros.
Roberta Matilde Dantine Burger de Freitas (São Paulo, SP)

Sou latino, vivo na Europa desde 1984. Incrível como a guerra mostra o racismo hoje. Quando os americanos invadiram o Iraque, com mentiras na ONU, destruíram o país, Afeganistão, Síria etc. Os governos ocidentais não reagiram como agora, e vejo o tratamento dado a ucranianos com relação à população de países bombardeados pelos EUA.
Pedro Paulo (Madri, Espanha)

1991. Rio. Estava trabalhando em albergue para conseguir a passagem de volta para Salvador. Fui para ver a 2ª edição do Rock in Rio. No dia 17, véspera do início do evento no Maracanã, já madrugada, estava acordado, em companhia de uma hóspede, quando a TV informou o ataque das tropas aliadas ao Iraque. Música, guerra, juventude...
Reinofy Borges Duarte (Salvador, BA)

Nasci no ano do início da Segunda Guerra, em São Paulo, e ainda me lembro do racionamento de alimentos essenciais. Meu avô, italiano que fugiu para o Brasil com a família em 1922 por causa da Primeira Guerra, me levava com três primos da mesma faixa etária (4 a 6 anos), de madrugada, para nos postarmos em longas filas às portas ainda fechadas das padarias. Quando conseguíamos, leite e pão eram racionados, controlados por cartões perfurados em cada núcleo familiar.
Maria Angela Borsoi (São Paulo, SP)

Quando estava no 3° ano, a Segunda Guerra estourou. Aí chegaram às casas dos japoneses que moravam em Santos com ordem expressa de retirada. Filhos no colo, roupa do corpo, tiveram que sair e largar tudo o que tinham, ninguém tinha riqueza, o que eles tinham de bem era uma máquina de costura (toda casa de japoneses tinha uma). Meu pai tinha barco de pesca, ele teve que largar também tudo, muitos pescadores foram para o interior, tiveram que aprender a cavar terra para sobreviver, porque não foram para casa de parente ou conhecido. Casas foram saqueadas.
Isaltina Uehara (São Paulo, SP)

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1980. A Braspetro explorava petróleo no Iraque. Muitos brasileiros estavam lá. E selecionaram professores para trabalhar dois anos em Basra, às margens do rio Shatt al-Arab, fronteira com o Irã. Meu marido foi escolhido e fomos, em março, com filhos de 6 e 3 anos. Depois, ouvimos sobre a tensão entre Irã e Iraque. Mas língua e censura impediam o acesso a informações seguras. Na tarde de 22 de setembro, ouvimos sons estranhos e soubemos que a guerra Irã-Iraque começara. O Brasil, como hoje, não tinha plano de retirada. Passamos três dias sob bombardeio e sem abrigo, sob tensão e medo. No quarto dia, fomos retirados para o Kuait pela Cruz Vermelha. Saímos com só com uma mala. Os ônibus foram revistados e vimos muita destruição. Ficamos no Kuait por mais de 15 dias até voltar ao Brasil. Hoje, ao ver a recepção emocionada de parentes no aeroporto, lembro-me de quando fomos nós. Só não pensava ver essas cenas de novo.
Ana Maria Gini Madeira (Belo Horizonte, MG)

Com 45 anos, já me lembro de mais guerras do que gostaria. Lembro vagamente da Guerra das Malvinas, mas tive infância marcada pela Guerra Fria e o medo da 3ª Guerra Nuclear (quem viu o filme "O Dia Seguinte" sabe). Minhas memórias mais fortes são da Guerra do Golfo e da guerra civil iugoslava, no anos 90. A do Golfo porque parecia filme, videogame na vida real, lembro até de um jogo (Desert Storm) que o colocava lutando lá. Da Guerra Civil Iugoslava me impressionavam povos antes irmãos se matando diante das câmeras. Até hoje tenho memórias dela ao escutar "Miss Sarajevo", do U2. E é impossível não lembrar das Guerras do Iraque e Afeganistão.
André Ulisses D. Batista (João Pessoa, PB)

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