Em Curitiba (PR), uma juíza branca condenou um homem negro acusado de se associar a uma organização criminosa. Nas palavras da juíza Inês Marchalek Zarpelon, o réu Natan Vieira da Paz, um homem negro de 48 anos, “seguramente” integrava a organização, “em razão de sua raça”.
A menção à raça foi repetida em três partes da sentença de 115 páginas. A decisão é de junho, mas ganhou repercussão depois que a advogada do réu, Thayse Pozzobon, compartilhou o texto nas redes sociais.
Com o repercussão do caso, a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Paraná resolveu abrir um procedimento administrativo para apurar os fatos. O Conselho Nacional de Justiça abriu uma investigação para apurar crime de racismo cometido pela juíza. A Defensoria Pública do Paraná anunciou que vai criar uma força-tarefa para revisar todas as sentenças proferidas pela juíza nos últimos 12 meses.
Em nota, Inês Zarpelon pediu desculpas, mas disse que a frase foi "retirada de um contexto maior".
No Café da Manhã desta sexta (14), o advogado Thiago Amparo, professor de políticas de diversidade na FGV Direito e colunista da Folha, discute os possíveis desdobramentos do caso e o racismo no sistema judiciário brasileiro.
O programa de áudio é publicado no Spotify, serviço de streaming parceiro da Folha na iniciativa e que é especializado em música, podcast e vídeo. É possível ouvir o episódio clicando abaixo. Para acessar no aplicativo basta se cadastrar gratuitamente.
Ouça o episódio:
O Café da Manhã é publicado de segunda a sexta-feira, sempre no começo do dia. O episódio é apresentado pelos jornalistas Magê Flores e Maurício Meireles, com produção de Jéssica Maes e edição de som de Thomé Granemann.
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