GABRIELA SÁ PESSOA
DE SÃO PAULO

O vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), diz que o que sempre fez foi coordenar a "engenharia partidária" para campanhas dos outros, mas hoje trabalha na costura de sua própria pré-candidatura ao governo do Estado.

Nesta segunda (15), França anunciou o apoio do PR, para mostrar que a "capacidade de articulação independe do PSDB.

Com o apoio da legenda, que tem 32 prefeitos em São Paulo, o vice-governador afirmou que "o mundo da política vai perceber que a candidatura do PSB é irreversível e vai ter estrutura".

Até o fim da semana, França promete formalizar a aliança com Pros e Solidariedade. A agenda de alianças foi noticiada pela coluna "Painel", da Folha, nesta segunda.

Na sexta (12), França se reuniu com Paulinho da Força no diretório do Solidariedade e combinou com o deputado federal que tentaria ampliar as frentes de trabalho, programa de interesse do novo aliado, no Estado.

O programa contrata temporariamente desempregados para tarefas de zeladoria, pagando R$ 300 por mês por uma jornada diária de seis horas. O vice-governador pretende ampliar o programa para 10 mil vagas em 2018.

França deve assumir o Bandeirantes em abril –quando o governador Geraldo Alckmin deve deixar o cargo– e tentará construir uma marca própria na administração, posicionando-se ao mesmo tempo como sucessor das políticas de Alckmin.

Por ora, estuda programas como a ampliação da frente de trabalho. Além disso, ele avalia exportar para o Estado um projeto que instituiu na sua gestão em São Vicente (1997-2005), uma espécie de "Menor Aprendiz" em que o governo passaria a contratar jovens de baixa renda como orientadores de trânsito e agentes comunitários.

Também planeja divulgar a ampliação de vagas neste mandato na Univesp, a universidade estadual que oferece ensino à distância –segundo ele, um projeto que coordenou a pedido de Alckmin.

'POMBOS'

Questionado sobre o aval tucano à sua candidatura, França reafirmou que acha "natural" que a legenda de Alckmin não decida apoiá-lo. De olho na aliança nacional com o PSB, uma ala do PSDB já discute centralizar o apoio no vice-governador e defende que apenas um nome defenda o legado do governador nas eleições de 2018.

O vice-governador disse que em discussão de tucano "as pombas não piam", em alusão ao animal que é símbolo de seu partido: "Seria interessante ter o PSDB, mas não é obrigatório".

Ao lado de José Tadeu Candelária, presidente do diretório do PR em São Paulo, França estima que terá a maior coligação em São Paulo.

Em encontros com aliados, o vice de Alckmin tem defendido que "a somatória dos partidos pequenos e médios é maior do que os grandes". É a lógica que adotou ao construir seu próprio grupo de apoio na Assembleia Legislativa dentro da base de Alckmin, já no início do mandato: o "bloco" de dez partidos que França comanda tem 30 parlamentares, seis a mais do que a bancada do PSDB.

A aproximação com Candelária, segundo os dois disseram nesta segunda, se deveu muito à relação próxima com os parlamentares que França cultivou em Brasília, durante seus dois mandatos como deputado federal (2007-2014).

"Os governos não são partidários", disse França, na sede do PR. "É preciso não ter vergonha de fazer um governo coletivo."

Erramos: o texto foi alterado
Diferentemente do publicado em versão anterior desse texto, Márcio França deve assumir o governo de São Paulo em abril.
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