BC sugere afastamento de vices da Caixa por suspeita de corrupção

Crédito: Alan Marques - 7.jan.2018/ Folhapress O presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi
O presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi

FÁBIO FABRINI
DE BRASÍLIA

O Banco Central sugeriu que a Caixa Econômica Federal afaste seus vice-presidentes após investigações do próprio banco e do MPF (Ministério Público Federal) apontarem suspeitas de corrupção e outras irregularidades envolvendo executivos da instituição.

A recomendação é a segunda desde o mês passado.

A Procuradoria da República no Distrito Federal, que conduz apurações sobre esquemas de desvio na Caixa, requereu ao banco e ao Palácio do Planalto a destituição dos vices em dezembro, mas a Casa Civil, seguindo orientação do presidente Michel Temer, alegou que não tinha competência para isso.

Na última quinta (11), os investigadores reiteraram a sugestão e avisaram a Temer que ele poderá ser responsabilizado, na esfera cível, se mantiver vices que venham a ser acusados de crimes.

O pedido do BC, segundo apurou a Folha, foi elaborado após informações sobre a situação dos executivos serem encaminhadas à área de fiscalização do Banco Central.

Nesta terça, o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, se reuniu com o presidente do BC, Ilan Goldfajn. Na véspera, Occhi informou desconhecer a solicitação.

O atendimento às duas recomendações dependerá da avaliação das circunstâncias políticas.

O Planalto tem resistido a afastar os vices porque teme retaliação dos partidos que os indicaram na discussão e na votação da reforma da Previdência.

O governo tem levado em banho-maria o processo de aprovação do novo estatuto da Caixa, que dá ao Conselho de Administração do banco poderes para afastar os vices. O documento está atualmente sob análise do Ministério da Fazenda.

O BC não se pronunciou sobre a recomendação de afastamento. A Folha confirmou que o pedido foi feito com duas fontes que trataram do assunto no banco.

O novo requerimento enfraquece a situação dos executivos. Como mostrou a Folha na segunda (8), quatro vices da Caixa são alvo de operações do MPF que tratam esquemas de corrupção para liberar investimentos a grandes empresas.

Occhi foi citado na delação premiada do corretor Lúcio Funaro. Ele disse que, quando vice-presidente de Governo da Caixa, Occhi tinha uma "meta de propina". O executivo nega.

As apurações da Caixa, conduzidas pela corregedoria do banco e por três escritórios independentes contratados, confirmaram irregularidades em operações e riscos de ingerência política na gestão do banco.

Como a Folha revelou no sábado (13), a atual vice de Fundos de Governo e Loterias, Deusdina dos Reis Pereira, é suspeita de barganhar um cargo para ela própria na Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) por investimento do banco na estatal.

O caso foi remetido pelo Conselho de Administração da Caixa à Comissão de Ética Pública da Presidência, que julgará se houve infração ética no episódio. Pereira não se pronunciou. Ela pediu adiamento do prazo para apresentar sua defesa ao colegiado.

Os pedidos de afastamento são para que os processos de indicação e nomeação passem a ser feitos com base em critérios impessoais, por serviço de headhunter (recrutamento).

A Caixa informou em nota que não se manifestaria.

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