Estrategista de Macron conversa com PPS e Partido Novo

Crédito: Avener Prado - 7.nov.2017/Folhapress SÃO PAULO, SP, BRASIL, 07-11-2017:Guillaume Liegey, francês, um dos estrategistas da campanha do presidente da França Emmanuel Macron.(Foto: Avener Prado/Folhapress, PODER) Código do Fotógrafo: 20516 ***EXCLUSIVO FOLHA***
Guillaume Liegey, um dos estrategistas da campanha do presidente da França, Emmanuel Macron

ISABEL FLECK
DE SÃO PAULO

Um dos principais nomes por trás da eleição do presidente francês, Emmanuel Macron, o estrategista Guillaume Liegey vem ao Brasil nesta semana e espera sair do país com novos clientes.

Liegey, que já esteve no país em novembro, terá desta vez pelo menos 15 encontros com políticos e partidos, entre eles o PPS, que sonha lançar para o Planalto o apresentador Luciano Huck.

Para o estrategista, que cuidou da campanha do "outsider" Macron, o apresentador brasileiro tem um "perfil muito interessante".

"Ele é um profissional respeitado na sua área e tem uma visão muito nova sobre política", disse à Folha o francês, que chega a São Paulo na segunda (29) e também se encontrará com o pré-candidato do partido Novo à Presidência, João Amoêdo.

Liegey menciona o fato de Huck já ter uma pequena projeção nas pesquisas, como ocorria com Macron. Em sondagem do Ibope do fim de outubro, o apresentador aparecia com 5% das intenções de voto –empatado com o governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Dez meses antes das eleições na França, o então candidato Macron tinha cerca 10% das intenções.

'BASE BOA'

"É importante você começar com um capital, uma base boa [de votos] sobre a qual se pode trabalhar", afirmou.

O presidente do PPS, o deputado federal Roberto Freire (SP), que se reunirá com o francês, admite que a experiência de Liegey poderia ser aproveitada se Huck decidir se candidatar.

"Vamos admitir que possa ocorrer essa hipótese [candidatura de Huck], aí algo que você analisou, que teve conhecimento, que experimentou, tudo isso pode vir a influenciar", disse Freire. Ele, no entanto, afirma não haver hoje conversas com o apresentador sobre a possibilidade de que concorra.

Apesar de recentes declarações de que as eleições deste ano seriam uma oportunidade para "reocupar o espaço" de uma classe política que "derreteu", Huck afirmou, no começo de janeiro, "não ser candidato a nada".

Para Freire, "elementos" vistos na disputa francesa podem se repetir em 2018 no Brasil, como uma resistência dos eleitores em relação a políticos tradicionais. "É algo que a gente pode imaginar que terá uma certa presença na nossa campanha aqui também."

INSATISFAÇÃO

Liegey também afirma ver na insatisfação popular com a política uma semelhança entre os dois países, além da inclinação de parte dos eleitores em votar em um candidato com discurso populista.

"Os principais partidos têm o desafio de trazer novas pessoas e ideias, de concorrer de forma diferente. Mas mesmo sabendo que têm que mudar, eles travam. É muito similar ao que ocorreu na França."

O estrategista, fundador da empresa de tecnologia eleitoral Liegey Muller Pons, foi um dos responsáveis por fazer com que o movimento En Marche! desbancasse os tradicionais partidos de direita e esquerda em seu país.

Amoêdo, que se encontra com Liegey na quinta, diz que ele poderia contribuir com a experiência nas áreas de divulgação do partido e na coordenação de seus voluntários. "Vamos saber como está a estrutura dele aqui, que produtos ele estará disponibilizando, e conversar um pouco sobre estratégia de campanha."

Liegey se reunirá ainda com candidatos a governos estaduais e à Câmara. O tom das conversas será de que "qualquer um pode aprender como ser um candidato melhor".

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